A árbitra de Três Lagoas, Daiane Caroline Muniz dos Santos, de 37 anos, foi alvo de ataques machistas na noite do último sábado (21/02), ao apitar a partida Red Bull Bragantino 1×2 São Paulo, válida pelas quartas de final do Paulistão 2026. Durante entrevista à beira do gramado após o jogo, o zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, disse que a Federação Paulista de Futebol “não pode colocar mulher para apitar um jogo desse tamanho”.
A FPF informou que encaminhará o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva. O zagueiro, que marcou o gol de honra do Braga, ainda afirmou que Daiane “acabou com o nosso [Bragantino] jogo”. A fala de Gustavo repercutiu imediatamente, com profissionais da imprensa, jogadores, figuras públicas e ex-atletas todos condenando o defensor. O próprio Gustavo, na hora seguinte, convocou a imprensa para se retratar e informar que pediu desculpas a Daiane no vestiário.
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Mas não é apenas de um ataque lamentável que vive a trajetória profissional de Daiane Muniz: afinal, a árbitra já apita jogos de futebol masculino há mais de cinco anos, e é constantemente elogiada não só por colegas de profissão, mas também por jogadoras e jogadores.
Nascida em Três Lagoas em 25 de maio de 1988, Daiane é professora de Educação Física e possui uma carreira consolidada na arbitragem. Em 2020, ela marcou a história do futebol sul-mato-grossense ao se tornar a primeira mulher a apitar como árbitra principal uma partida do Campeonato Sul-Mato-Grossense masculino, no jogo entre Corumbaense e Maracaju.
Após a atuação pioneira no futebol masculino estadual, transferiu-se para a Federação Paulista de Futebol, onde passou a integrar a equipe de arbitragem de vídeo da Série A do Campeonato Brasileiro.
A trajetória da árbitra sul-mato-grossense alcançou o cenário mundial. Em 2022, ela desempenhou a função de árbitra assistente de vídeo (VAR) na Copa do Mundo Feminina Sub-20, realizada na Costa Rica. No ano seguinte, Daiane voltou a atuar em torneio da FIFA, exercendo novamente a função de VAR na Copa do Mundo Feminino de 2023.
Repúdio da FPF
Em nota, a Federação Paulista de Futebol afirmou que recebeu a entrevista com “profunda indignação e revolta”. A declaração de Gustavo foi classificada como “uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina”, conforme o texto.
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Ainda segundo a entidade, é estarrecedor que o atleta questione a capacidade de um árbitro com base no gênero. “A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que esse número cresça. Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter”.
A FPF reforça total apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres”, finaliza a nota.
