Adriana Prado, conhecida como Rita de Cássia Adriana Prado, comercializou um áudio sobre supostas irregularidades em camarote do São Paulo Futebol Clube para um grupo de opositores da atual gestão. A negociação envolveu dois conselheiros do clube, foi publicada nesta quinta-feira (15/01) pelo UOL. Após vender o material, Adriana alterou seu posicionamento e passou a defender o presidente Júlio Casares.
A reportagem teve acesso a uma gravação de aproximadamente 11 minutos que documenta a negociação entre Adriana e o ex-conselheiro Denis Ormrod para aquisição do material. Durante o diálogo, os participantes chegaram a discutir a possibilidade de simular o furto de um telefone que continha o conteúdo.
A transação financeira para obtenção do áudio totalizou R$ 275 mil. Foram identificados dois cheques de R$ 100 mil cada, entregues por Denis a Adriana, além de uma transferência via Pix de R$ 75 mil em nome de Frederico SA Grilo, pessoa que, segundo informações da gravação, estaria vinculada ao conselheiro Vinicius Pinotti.
Grupo de opositores envolvidos na compra
O grupo que adquiriu o material incluiria, além de Denis Ormrod, os conselheiros Vinicius Pinotti e Fabio Mariz, conforme indicado no áudio obtido pela reportagem. Quando questionado sobre o caso, Denis confirmou a transação.
“Foi ela quem procurou, querendo vender documentos e informações sobre coisas que estavam acontecendo no São Paulo. Com o meu dinheiro, eu faço o que quiser, e pelo São Paulo e pela torcida eu faço tudo mesmo”, declarou Denis.
Os fatos ocorreram nas dependências do clube, envolvendo um camarote do estádio do Morumbi, onde supostamente teriam acontecido as irregularidades inicialmente apontadas por Adriana.
Conteúdo do áudio e afastamento de diretores
O material comercializado consiste em uma ligação telefônica gravada por Adriana, na qual aparecem Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do clube. Na conversa, ambos se referem ao camarote como “clandestino” e afirmam que o negócio não foi “normal”. Após a repercussão negativa, os dois diretores solicitaram afastamento de suas funções.
Mudança de posicionamento e carta explicativa
A situação tomou novo rumo após a venda do áudio. Houve desentendimentos sobre os valores a serem pagos e sobre a estratégia de simular o roubo do aparelho telefônico. Em mensagem divulgada nesta quinta-feira (15), Adriana alterou completamente sua versão, afirmando que o áudio foi divulgado fora de contexto e que “nunca houve qualquer irregularidade na cessão do camarote”.
O UOL também obteve acesso a uma carta escrita por Adriana e endereçada a Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares. No documento, ela nega irregularidades na comercialização do camarote e sustenta que opositores políticos adquiriram e divulgaram um áudio descontextualizado.
Na correspondência, Adriana expressa suspeitas sobre a atuação de terceiros: “Diante do que aconteceu, suspeito que terceiros, entre eles Denis Ormrod, Vinicius Pinotti e o Dr. Fábio Mariz, possam ter agido com a intenção de causar prejuízos, principalmente ao Dr. Júlio, sem que isso representasse minha vontade ou consciência.”
No texto enviado a Mara, Adriana solicita uma oportunidade para conversar pessoalmente e esclarecer os fatos “com calma e verdade”. Ela também pede que a mensagem seja compartilhada com Júlio Casares e com o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, visando contestar o que ela classifica como “ilações, inverdades e difamações”.
Confira a carta na íntegra:
Querida Mara,
Escrevo com o coração muito apertado por tudo o que aconteceu nos últimos tempos. A divulgação de um áudio fora de contexto acabou gerando uma exposição dolorosa, e sinto muito por todo o desgaste causado ao Dr. Júlio Casares, à sua família e ao clube, pessoas pelas quais sempre tive carinho, respeito e gratidão.
Sou uma pessoa frágil, enfrento depressão e outras comorbidades, e jamais quis estar envolvida em qualquer situação pública dessa natureza, muito menos relacionada a pessoas que sempre me acolheram. Tudo isso me abalou profundamente e afetou minha saúde.
Quero deixar claro que nunca houve qualquer irregularidade na cessão do camarote e que sempre houve total lisura na compra dos ingressos. Também faço questão de registrar que, em todos esses anos, nunca vi ou soube de nada que desabonasse a sua conduta na administração do camarote. Sempre admirei sua correção e transparência.
Diante do que aconteceu, suspeito que terceiros, entre eles Denis Ormrod, Vinicius Pinotti e o Dr. Fábio Mariz, possam ter agido com a intenção de causar prejuízos, principalmente ao Dr. Júlio, sem que isso representasse minha vontade ou consciência.
Peço, com carinho, a oportunidade de podermos conversar pessoalmente e esclarecer tudo com calma e verdade.
Se possível, peço também que esta mensagem seja repassada ao Dr. Júlio Casares e ao presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, senhor Olten Ayres, a fim de esclarecer definitivamente essas ilações, inverdades e difamações que vêm sendo dolosamente utilizadas para tentar atrapalhar o desenvolvimento da gestão do SPFC, por pessoas que almejam ocupar o cargo atualmente exercido pelo Dr. Júlio Casares com base em informações falsas.
Com estima,
Rita de Cássia Adriana Prado
