O empate por 1 a 1 com o Estudiantes, na Argentina, foi importante para Fernando Diniz.
Não só porque o Corinthians trouxe a decisão das quartas de final da Libertadores para a Neo Química Arena em igualdade. Uma vitória simples na próxima quarta-feira coloca o clube na semifinal da competição.
Também porque o resultado dá um pouco de fôlego a um trabalho que, na minha opinião, precisa ser analisado olhando tudo o que aconteceu em volta.
Diniz passou a última janela sem receber uma única contratação. Teve uma série de desfalques por lesão e ficou muito tempo sem Yuri Alberto e André, dois titulares absolutos do time.
Zakaria e Kayke, que apareciam como soluções internas para o elenco, também tiveram lesões graves.
Em vários momentos, o treinador precisou usar jogadores que não estavam entre suas primeiras opções.
E tudo isso num clube que ainda convive com salários, direitos de imagem e premiações atrasados.
Mesmo com todos esses problemas, o Corinthians conseguiu durante boa parte do trabalho de Diniz se afastar da região mais perigosa do Campeonato Brasileiro e hoje segue no meio da tabela.
Mas as quatro derrotas seguidas pesam. E pesam muito. Fernando Diniz também tem responsabilidade nelas.
O trabalho contra Cruzeiro, Coritiba, Santos e Chapecoense não foi bom. Principalmente na derrota para a Chapecoense, então lanterna do Campeonato Brasileiro.
Foram quatro resultados ruins e, em vários momentos, com desempenho ruim também.
Não dá para fingir que não aconteceu. Mas também não dá para pegar essas quatro partidas e usar como se elas fossem o trabalho inteiro do treinador.
Na Libertadores, por exemplo, o Corinthians eliminou o Rosario Central e agora conseguiu um empate fora de casa contra o Estudiantes depois de sair perdendo logo aos três minutos.
Foi atrás do resultado e voltou da Argentina dependendo de uma vitória em casa para chegar à semifinal.
Mesmo assim, Fernando Diniz ainda encontra resistência dentro do Corinthians.
De acordo com a apuração desta coluna, há dirigentes com acesso ao presidente Osmar Stábile que seguem incomodados com o treinador.
Esse desconforto aumentou principalmente depois de Diniz defender publicamente a permanência de Memphis Depay.
Não existe hoje uma decisão tomada sobre o futuro do técnico.
Mas uma eliminação na Libertadores ou uma sequência ruim no Brasileiro pode dar mais força para quem já não gosta do trabalho.
E aí aparece uma diferença importante. Essa resistência, pelo menos até agora, não está nas arquibancadas.
O Corinthians perdeu quatro vezes seguidas no Brasileiro, três delas dentro da Neo Química Arena, e uma justamente para o lanterna da competição.
Mesmo assim, Diniz não virou alvo da torcida. O time foi cobrado. Os jogadores também. Mas o treinador ainda não sofre uma rejeição forte da Fiel. E isso no Corinthians conta muito.
Principalmente porque Diniz teve que trabalhar sem reforços, com lesões, atrasos financeiros e um elenco menor do que gostaria.
E, apesar de tudo isso, está a uma vitória de colocar o Corinthians entre os quatro melhores da Libertadores.
Hoje, quem pressiona Fernando Diniz está mais perto da sala da presidência do que das arquibancadas da Neo Química Arena.