Atual executivo do Remo e ex-vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, revelou arrependimento pela demissão de Rogério Ceni em 2021. Em entrevista ao Ge veiculada nesta sexta-feira (23/01), o dirigente reconheceu o equívoco com o treinador que conquistou três títulos pelo Rubro-Negro, mas manteve sua posição sobre a não renovação com Dorival Júnior após as conquistas de 2022.
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Braz, que deixou o cargo no clube carioca em 2024, falou sobre momentos decisivos de sua gestão, incluindo a saída de Jorge Jesus para o Benfica em 2020, episódio que considerou delicado apesar da decisão ter partido do próprio treinador português.
“A saída do Jorge Jesus, mesmo não tendo uma turbulência muito grande, porque a culpa não era nossa, era um desejo dele, eu tinha a noção exata do que estava acontecendo. Tinha noção do que era perder uma comissão técnica da maneira que estava jogando o Flamengo, campeão da Libertadores, do Brasileiro, como foi… Não foi o momento que eu achei que foi a maior crise, mas foi uma fase e uma situação em que eu tinha a dimensão do que representaria até mesmo para mim, como vice-presidente”, declarou Braz.
Após a saída de Jesus, o Flamengo contratou Domènec Torrent, que permaneceu poucos meses no cargo, até novembro de 2020. Rogério Ceni assumiu na sequência e conquistou o Campeonato Brasileiro de 2020, a Supercopa do Brasil e o Campeonato Carioca em 2021, antes de ser dispensado em julho daquele ano.
Sobre a demissão de Ceni, o dirigente foi direto ao admitir seu erro.
“Eu errei ao tirar o Rogério Ceni naquele momento. Eu me arrependo muito de demitir e não fui coerente”.
Braz explicou que havia sustentado a permanência do treinador em momentos difíceis, inclusive quando o próprio técnico manifestou desejo de sair.
“No futebol, você pode ser tudo, pode errar, acertar, mas não pode ser incoerente. Por quê? Eu segurei ele antes de ser campeão, a torcida pedindo para me demitir e demitir ele… Segurei o Rogério, que depois me pediu demissão duas vezes e convenci ele a seguir para ser campeão no Morumbi. Falei isso para ele. Seguro ele, o Flamengo é campeão do Brasil, da Supercopa, tricampeão estadual, e mais na frente por questões internas, pressão de A, de B, eu demiti”, completou.
Em relação a Dorival Júnior, contratado em meados de 2022 e campeão da Copa do Brasil e da Libertadores naquele ano, Braz não demonstrou arrependimento pela decisão de não renovar o contrato.
Para substituir Dorival, o clube contratou Vítor Pereira, que permaneceu apenas quatro meses no cargo. Nesse período, o Flamengo perdeu a Supercopa do Brasil, a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Carioca, além de ser eliminado na semifinal do Mundial de Clubes.
Sobre a saída de Dorival, o ex-dirigente detalhou as negociações com o treinador.
“A gente iniciou o processo de renovação (de Dorival) e fez uma proposta. Veio uma contraproposta e no meio disso aí entendemos que não deveríamos ficar reféns e fomos por outro caminho. Isso foi o que aconteceu”.
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Braz manteve sua posição quanto à decisão tomada na época.
“Talvez se tivéssemos mais certezas em relação a A, B ou C, poderíamos estender essa negociação por um novo contrato, mas entendemos que deveríamos trocar e foi feito. Falar desse assunto em cima dos resultados. Na verdade, a análise é essa, em cima dos resultados posteriores, aí é muito difícil. Eu acho. Acho não, eu trocaria de novo”.
