Caio Bonfim, de 35 anos, ficou em terceiro lugar na meia-maratona do Mundial de Marcha Atlética. A prova aconteceu neste domingo (12/04), em Brasília. O marchador brasileiro completou o percurso em 1h27min36s. O italiano Francesco Fortunato venceu com 1h27min36s. O etíope Misgana Wakuma ficou com a prata ao registrar 1h27min33s.
O vice-campeão olímpico e campeão mundial do ano passado disputou a liderança durante toda a competição. Caio brigou pelo título até a última volta das 21 previstas. Francesco Fortunato acelerou na reta final e conquistou o ouro. O italiano disparou nas duas últimas voltas mesmo com dois cartões vermelhos. Um terceiro cartão resultaria em penalização.
Caio Bonfim lutou com Wakuma até os metros finais. O brasileiro acabou superado pelo etíope. Ao cruzar a linha de chegada, o atleta desabou visivelmente emocionado.
Primeira medalha em Mundial exclusivo de marcha
O bronze representa a primeira medalha de Caio Bonfim em Mundiais exclusivamente de marcha atlética. O marchador já havia conquistado quatro medalhas em Mundiais de atletismo. Ele tem um ouro e dois bronzes nos 20km. Possui ainda uma prata nos 35km. Caio também foi prata dos 20km nas Olimpíadas de Paris.
O atleta buscava esse resultado há dez anos. A medalha em Brasília preenchia uma lacuna no currículo do marchador brasileiro. Este foi o sétimo Mundial de Marcha de Caio Bonfim.
O japonês Toshikazu Yamanishi disputou a liderança desde a primeira volta. Yamanishi é o atual recordista mundial da meia-maratona de marcha.
Resultados brasileiros e por equipes
Max Batista dos Santos terminou em 26º lugar. João Paulo Nobre ficou na 66ª posição. Lucas Mazzo não completou a prova. Matheus Correa nem largou, abatido pela influenza.
Na disputa por equipes da prova, o Japão levou o ouro. Espanha ficou com a prata. A China conquistou o bronze. O Brasil terminou em sétimo lugar.
Esta foi a quarta medalha da história para o Brasil em Mundiais exclusivos de marcha atlética. Horas antes da prova de Caio, Viviane Lyra, Gabriela de Sousa e Mayara Luize Vicentainer ficaram com o bronze na prova por equipes femininas da maratona. Erica Sena foi bronze em 2016 e 2024 nos 20km.
Emoção de competir em casa
Caio Bonfim competiu diante do público brasiliense. O atleta nasceu em Brasília e escolheu a cidade para treinar. A prova fez parte do Mundial de Marcha Atlética, a principal competição da temporada da modalidade.
“No dia que Brasília saiu como sede, eu falei: ‘Nossa, tô lasacado!’ É muita responsabilidade. Ver isso aqui lotado. A cidade em que nasci, que escolhi treinar e representar. No início da carreira eu era xingado, cara. E essa é a voz de quem apoia agora. Ter essa galera aqui a cada volta. Eu pensava: ‘Não posso decepcionar.’ Comecei a sentir a perna. Fui enganando o corpo velho. É meu sétimo Mundial de Marcha. Toda prova batendo na trave. Deus escolheu esse dia, em Brasília, para eu preencher meu álbum de figurinha. Faltava essa medalha de Mundial de Marcha, em casa. É um sonho realizado. Muitos vão falar: ‘Terceiro, e ainda tá comemorando’. São dez anos buscando essa medalha. Tô muito emocionado, porque queria muito. Tinha muito medo de voltar ao hotel cabisbaixo, sem medalha. No Brasil, viver de marcha atlética, medalha não tem cor. Para mim é tudo ouro”, declarou Caio Bonfim ao canal Sportv após a prova.




