O ex-goleiro da seleção paraguaia, José Luis Chilavert, se pronunciou sobre o caso envolvendo acusações de racismo do atleta Prestianni, do Benfica, contra Vinicius Júnior, do Real Madrid. Chilavert, que é ídolo no mesmo Vélez Sarsfield onde Prestianni atuava, defendeu o argentino e usou de ofensas pessoais para atacar Vini e seu colega de time, Kylian Mbappé.
Em entrevista à Radio Rivadavia, o ex-atleta do Boca Juniors disse que Mbappé “fala de valores e tudo mais, mas vive com um travesti. Isso não é normal”. Chilavert escolheu atacar o francês por ter saído em defesa de Vini; em campo e em entrevista após o jogo, Mbappé reforçou que teria ouvido claramente Prestianni chamar seu companheiro de time de “macaco” e pediu punições à UEFA.
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“Cada um pode fazer com a sua vida aquilo que quiser”, tentou justificar Chilavert, “Mas não é normal que um homem viva com um travesti. Para isso existem as mulheres… o melhor que um homem pode ter ao seu lado é uma mulher”. O ataque deliberadamente pessoal do ex-goleiro nada tem a ver com o caso de Vinicius Júnior; ele se refere a um suposto affair que Mbappé teria tido com Inès Rau, modelo trans francesa, em 2022.
O relacionamento dos dois nunca foi confirmado, e também pouco importa ao assunto que Chilavert pretendia abordar, que era a acusação de racismo contra Prestianni.
Sobre Vinicius Júnior, o ex-atleta afirmou que “90% dos jogadores do Real Madrid são negros e (…) nunca têm problemas [de racismo]“, enquanto apenas o atacante brasileiro teria “com todo mundo”. Para Chilavert, Vini deveria “perguntar à televisão brasileira por que a polícia espanca torcedores argentinos, paraguaios ou uruguaios” no Brasil.
Chilavert saiu em defesa de Prestianni, dizendo que “se [o jogador] for sancionado, se cria o fato de que ‘a comunidade gay, lésbica e companhia’ são o exemplo a seguir“. O ex-goleiro bradou que “o futebol é um retângulo onde jogam homens que costumavam dizer tudo uns aos outros”, e que os “microfones” e as “câmeras” teriam deixado o esporte “amaricado” – isto é, “homoafetivo”.
Não se sabe ao certo a que o ex-goleiro se referia quando citou câmeras, microfones, ou até mesmo a comunidade LGBTQ+ em seu desabafo, visto que se trata de um caso de racismo.
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O Real Madrid apresentou, nesta quinta (19/02), um conjunto de documentos que julga ser “toda a prova necessária” para confirmar que houve o ataque de Prestianni – bem como de torcedores do Benfica – contra Vinicius Júnior.
Tanto o Benfica quanto o atleta negam as acusações; Prestianni chegou a publicar um comunicado em suas redes sociais onde diz que Vini “não ouviu o que pensa ter ouvido”, e o clube de Lisboa tentou provar com um vídeo da partida que os atletas do Real estariam “longe demais para ouvir o que Prestianni disse”.
