O Palmeiras volta a atuar no Allianz Parque neste domingo (15/03), às 18h30, quando recebe o Mirassol pela Série A do Campeonato Brasileiro. Será a primeira partida do clube no estádio em 2026 após a substituição completa do gramado sintético, que recentemente recebeu certificação da FIFA, entidade máxima do futebol mundial. Com o retorno do local, a elite nacional passa a contar com seis equipes que utilizam piso artificial como mandantes, um número inédito na competição.
Além do Palmeiras, Athletico-PR, Chapecoense, Atlético-MG e Botafogo também utilizam gramado sintético em seus estádios. A lista pode crescer ao longo do campeonato: por causa da reforma de São Januário, o Vasco deve mandar jogos no estádio Nilton Santos em 2026, o que pode elevar ainda mais o número de partidas disputadas nesse tipo de superfície.
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O Allianz Parque utiliza grama artificial desde 2020. Para esta temporada, o estádio passou por uma renovação completa da estrutura, com investimento estimado em R$ 11 milhões, realizado pela WTorre em parceria com o Palmeiras. Entre as melhorias estão atualização da tecnologia do piso, novo sistema de drenagem, instalação de tapetes, aplicação do shock pad, redistribuição de areia e nova demarcação do campo.
Na última quarta-feira (11/03), a Fifa concedeu o certificado que aprova o novo gramado do estádio, liberando oficialmente o Allianz Parque para voltar a receber partidas.
Apesar do avanço da tecnologia, o uso de gramados sintéticos ainda gera debate no futebol brasileiro. Jogadores, dirigentes e clubes — como o Flamengo — já se manifestaram contra esse tipo de superfície no Brasileirão. Mesmo assim, fatores como calendário apertado, condições climáticas e realização de shows e eventos nos estádios têm impulsionado a adoção do modelo.
Segundo especialistas, o gramado artificial também atende à necessidade de arenas multiuso. “O gramado sintético tem sido uma solução viável para os clubes, principalmente pensando na sustentabilidade econômica. Hoje as arenas são projetadas para receber diferentes eventos. Com grama natural, por exemplo, não é possível realizar um show e no dia seguinte ter um jogo em boas condições”, afirma Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa de infraestrutura esportiva.
Ele destaca ainda que o investimento inicial para instalação varia entre R$ 7 milhões e R$ 9 milhões, mas os custos de manutenção são menores em comparação ao gramado natural.
“O gramado natural ideal, como vemos em Copas do Mundo, é difícil de manter no Brasil por causa da grande quantidade de partidas durante o ano. O uso dos estádios para outros eventos também impacta diretamente a qualidade da grama”, acrescenta.
Nos centros de treinamento da Série A, o cenário é semelhante. Atualmente, 13 dos 20 clubes da primeira divisão possuem ao menos um campo alternativo com grama artificial, e esse número deve crescer em breve com novos projetos previstos em Botafogo e Remo.
Do ponto de vista físico, ainda há poucos estudos conclusivos sobre as diferenças entre gramado natural e sintético. De acordo com o fisioterapeuta esportivo Fabrício Rapello, especialista da Sonafe Brasil, algumas pesquisas indicam maior exigência física em partidas disputadas no piso artificial.
“Defensores e meio-campistas percorrem distâncias maiores e realizam mais corridas em média e alta velocidade no sintético. Também há maior número de ações de aceleração e desaceleração, o que exige adaptações nos treinamentos para suportar essa demanda”, explica o especialista, que trabalhou no Santos por quatro anos.
Nas divisões inferiores, o gramado sintético também tem sido adotado como solução para modernizar estruturas e reduzir desgaste do campo. O Juventus-SP, por exemplo, instalou recentemente o novo piso após virar SAF, buscando lidar melhor com o calendário e melhorar as condições de jogo.
Na Europa, porém, alguns campeonatos caminham na direção oposta. A Holanda proibiu partidas em gramados 100% artificiais após pressão de sindicatos de jogadores, que apontaram problemas no comportamento da bola e possíveis riscos de lesão.
Outras ligas importantes — Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França e Portugal — também não utilizam campos totalmente sintéticos em suas primeiras divisões.
Há, contudo, exceções. O Young Boys, da Suíça, utiliza gramado artificial no Stadion Wankdorf, em razão das frequentes nevascas no país. Situação semelhante ocorre com o Bodø/Glimt, da Noruega, que também adota a superfície por influência das condições climáticas.
A Uefa permite o uso de gramados sintéticos em suas competições, incluindo a Champions League, desde que o campo possua certificação FIFA Quality Pro. A única exceção é a final do torneio, que obrigatoriamente precisa ser disputada em gramado natural.
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