A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 entrou em sua fase mais crítica. Com a lista final de Carlo Ancelotti programada para o dia 18 de maio, o Brasil vive o dilema de sempre, mas com uma roupagem inédita: como — e se — Neymar, agora de volta ao Santos, se encaixa na engrenagem de um técnico que prioriza o equilíbrio e a intensidade acima do nome na camisa?
Ancelotti nunca foi um treinador de esquemas rígidos; ele é um mestre em moldar o sistema ao talento. No Real Madrid, transformou Bellingham em um “falso 10” e deu liberdade total a Vini Jr. Na Seleção, o italiano já deu a pista: ele vê Neymar como um “Falso 9”.
Onde Neymar entra no tabuleiro?
O futebol de 2026 é impiedoso com quem não corre sem a bola. Ancelotti sabe que, aos 34 anos e após o histórico de lesões que abreviou sua passagem pela Arábia Saudita, Neymar não tem mais o fôlego para ser o ponta que dribla três e volta para marcar o lateral.
A Função “Falso 9”: Com Vini Jr. e Raphinha ocupando as pontas com velocidade explosiva, Neymar seria o “cérebro” central. Sua missão seria flutuar entre as linhas defensivas, atrair a marcação e servir os garotos que voam pelos lados.
O “Fator Bellingham”
Ancelotti pode repetir o que fez com o inglês: colocar Neymar no topo de um losango no meio-campo, protegendo-o defensivamente com três volantes de contenção (como Bruno Guimarães e Casemiro) para que ele guarde energia apenas para o toque de gênio no terço final.
O Obstáculo: 100% ou Nada
A técnica de Neymar permanece intacta — seus números recentes pelo Santos, com gols e assistências em poucos jogos, provam que o “fino” ele ainda tem. O problema, como o próprio Ancelotti enfatizou diversas vezes em coletiva é a intensidade física.
“Neymar com bola está muito bem. Mas ele tem que trabalhar para estar em 100% de suas possibilidades. Para mim e para a comissão, ele ainda não está lá.” — Carlo Ancelotti, março de 2026.
O corte de Neymar nos amistosos contra França e Croácia foi um recado claro. Ancelotti não aceita o “Estatuto do Camisa 10”. Se Neymar quiser ir para a sua quarta — e última — Copa, ele terá que provar no Brasileirão que seu corpo aguenta o ritmo de sete jogos em 30 dias.
Neymar na Seleção de Ancelotti não seria mais o protagonista absoluto que carrega o piano, mas sim o solista de luxo. Se aceitar ser a peça que refina o jogo de uma geração fisicamente superior, ele pode ser o diferencial para o Hexa. Se insistir em ser o centro gravitacional de todas as jogadas, pode acabar assistindo ao Mundial do sofá da Vila Belmiro.
A bola está com o 10. E o relógio de Ancelotti não para.