O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou, na noite desta sexta-feira (16/01), o impeachment do presidente Julio Casares. A decisão foi tomada após uma reunião realizada no Salão Nobre do Morumbis, que contou com participação presencial e online dos conselheiros, conforme determinação judicial.
Ao todo, 223 conselheiros participaram do encontro, número acima do quórum mínimo exigido para a realização da votação. Para que o impeachment fosse aprovado, eram necessários ao menos 171 votos favoráveis, patamar que foi atingido com folga (188). Outros 45 conselheiros queriam manutenção do dirigente no cargo, enquanto dois votaram em branco.
Acompanhe tudo o que acontece no Brasil e no mundo: siga a TMC no WhatsApp
A reunião teve pouco mais de uma hora de duração antes do início da votação. Durante o encontro, conselheiros da oposição apresentaram argumentos contra a gestão de Casares, citando perda de capital político, questionamentos sobre a moralidade administrativa e prejuízos financeiros ao clube. A defesa do presidente afirmou que não havia provas conclusivas que justificassem o afastamento e pediu o adiamento do processo.
Em sua manifestação final, Julio Casares falou por cerca de 20 minutos. O dirigente afirmou ser vítima de perseguição política, disse que os fatos ainda estão sob investigação e declarou que irá provar sua inocência na Justiça.
Com a aprovação do impeachment pelo Conselho Deliberativo, Casares é afastado imediatamente da presidência do São Paulo. O cargo passa a ser ocupado de forma interina pelo vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, que permanecerá no comando do clube até a realização da Assembleia Geral dos Sócios, última instância do processo.
Esta assembleia deverá ser convocada em até 30 dias, conforme prevê o estatuto do clube. Para que a saída seja confirmada, é necessária maioria simples dos votos dos associados presentes. Se os sócios confirmarem o impeachment, ele perde o restante do mandato, que iria até o fim de 2026. Caso contrário, retorna ao cargo.
A votação ocorreu em meio a protestos de torcedores no entorno do Morumbis. Centenas de são-paulinos acompanharam a movimentação dos conselheiros do lado de fora, com gritos, faixas e cânticos pedindo a saída do presidente. O esquema de segurança foi reforçado para evitar incidentes durante a reunião.
O processo de impeachment tem como base uma série de denúncias e investigações em andamento. Entre elas, estão apurações da Polícia Civil sobre saques em dinheiro que somam R$ 11 milhões entre 2021 e 2025, além de relatórios do Coaf que identificaram depósitos em espécie na conta de Julio Casares. Também pesam denúncias envolvendo a comercialização irregular de camarotes do Morumbis em dias de shows e suspeitas de má gestão orçamentária.
Leia mais: Torcedores protestam no Morumbis antes de votação do impeachment de Casares
