O Conselho Deliberativo do São Paulo absolveu os conselheiros Vinicius Pinotti e Fábio Mariz nesta sexta-feira (24/04). Eles eram acusados de divulgar um áudio que revelou um esquema irregular de uso de camarotes no estádio MorumBis. A votação terminou às 17h.
Os dois conselheiros enfrentavam a possibilidade de suspensão de um ano de suas atividades. O áudio vazado tornou-se prova em investigação policial. O material também foi utilizado no processo de impeachment de Júlio Casares, ex-presidente do clube.
A Comissão de Ética do São Paulo havia recomendado previamente o afastamento de Pinotti e Mariz. Pinotti admitiu ter sido responsável pelo vazamento do áudio. Mariz participou de reuniões nas quais foi planejado ocultar a origem do pagamento pelo material, segundo apuração da Comissão.
Os conselheiros alegaram que a divulgação tinha como objetivo denunciar corrupção. A Comissão de Ética rejeitou essa justificativa. O órgão apontou que a ação causou danos à imagem do clube.
Pinotti foi absolvido por 175 votos a 48, com quatro abstenções. Mariz recebeu 175 votos favoráveis à absolvição contra 47 pela condenação, com cinco abstenções.
Rita de Cássia Adriana de Prado foi identificada como pivô do esquema. Ela teria recebido R$ 275 mil. Denis Ormrod, ex-conselheiro do clube, também participou da ação. Ormrod confirmou ter efetuado o pagamento combinado com Adriana.
Os nomes de Pinotti e Mariz vieram à tona após Rita de Cássia Adriana de Prado recuar em sua versão inicial. Ela afirmou ter sido pressionada por opositores de Júlio Casares para vender o áudio que revelava o esquema irregular.
Mara Casares e Douglas Schwartzman, que eram diretores do São Paulo, também aparecem relacionados ao caso. Adriana fez uma manifestação por meio de carta endereçada a Mara Casares. A carta foi gravada na presença de Douglas Schwartzman.
Mara e Douglas se licenciaram de seus cargos de diretores do São Paulo após o caso se tornar público. Recentemente, ambos foram expulsos do clube devido ao esquema.
A conversa entre Adriana, Mara e Douglas ocorreu porque a intermediária abriu um processo contra uma terceira pessoa, cobrando valores repassados. Os diretores solicitaram que a ação fosse encerrada para evitar que o uso irregular do camarote se tornasse público.
O processo judicial foi extinto. A extinção ocorreu somente depois de ter sido amplamente divulgado pela imprensa. O caso tornou-se objeto de investigação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo.
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