O Corinthians sofreu um novo transfer ban da Fifa nesta quinta-feira (21/05) pela dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, contraída na compra do volante equatoriano José Martínez, que deixou o clube no início deste ano. A situação expôs também que o Timão não honrou imensa maioria das contratações feitas pelo ex-presidente Augusto Melo, destituído em maio do ano passado.
Durante os 16 meses que presidiu o Corinthians, Augusto Melo contratou 11 jogadores com negócios que envolveram compensações financeiras – isto é, o Timão pagou para adquirir esses atletas. Tiveram ainda outras nove chegadas de atletas livres no mercado e o atacante Pedro Henrique, que foi pago com o abatimento de uma dívida do Internacional com o Alvinegro.
Desses 11 jogadores, o goleiro Hugo Souza e o lateral-direito Matheuzinho foram quitados integralmente com dinheiro de parceiros, não do Corinthians – abaixo, a TMC explica os casos. Os outros nove seguem sem ser quitados e renderam ao menos seis acionamentos na Justiça:
- Raniele: o Corinthians topou pagar R$ 14 milhões ao Cuiabá e atualmente quita esse montante por meio de um acordo na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD);
- Rodrigo Garro: inicialmente comprado por R$ 33 milhões, o Corinthians viu o valor saltar para cerca de R$ 42 milhões após condenação na Corte Arbitral do Esporte (CAS); agora, corre para o Talleres, da Argentina, não pedir outra punição na Fifa;
- Félix Torres: comprado do Santos Laguna, do México, o Corinthians não honrou os pagamentos e perdeu o processo no CAS, sofrendo um transfer ban no ano passado. Precisou pagar R$ 40 milhões, sendo que o valor inicial era R$ 31 milhões;
- Alex Santana: o Athletico-PR cobra na Justiça R$ 12 milhões pela venda do volante ao Timão;
- Charles: o Corinthians perdeu o processo movido pelo Midtjylland, da Dinamarca, no CAS pelo atraso no pagamento do volante e agora precisa pagar R$ 6 milhões para não sofrer outra punição;
- José Martínez: após sofrer transfer ban na Fifa, o Corinthians precisa pagar R$ 7,54 milhões ao Philadelphia Union para se livrar da sanção.
Há, ainda, a compra do atacante Pedro Raul junto ao Toluca, do México. Após não conseguir quitar as parcelas do acordo inicial, na casa de 5 milhões de dólares, renegociou o acordo, mas viu o montante saltar para 8 milhões de dólares.
Em relação ao zagueiro Cacá, o Corinthians foi obrigado a comprá-lo por 4 milhões de dólares do Tokushima Vortis, do Japão, após o empréstimo. Não se tem informações se os pagamentos seguem em dia.
Recentemente, o UOL trouxe uma notícia que o Corinthians ainda deve R$ 7,37 milhões ao New York City, dos Estados Unidos, pelo empréstimo do atacante Talles Magno. O Timão busca um acordo para o caso não ser levado à Justiça.
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Corinthians pagou Hugo Souza com Esportes da Sorte

Na reta final de seu empréstimo, em 2024, o Corinthians correu risco de não comprar o goleiro Hugo Souza, que pertencia ao Flamengo, por falta de dinheiro. Assim, coube à Esportes da Sorte, patrocinadora máster do clube, e ao banco Daycoval entrarem no negócio e quitar o valor de 800 mil euros (na época, R$ 4,9 milhões). De acordo com o próprio Augusto Melo, a empresa adiantou uma parcela do patrocínio para possibilitar que o Timão adquirisse o arqueiro.
“Foi adiantamento (da Esportes da Sorte). Temos despesas todos os dias e temos que escolher quais pagar. (…) Antecipamos para também deixar nosso goleiro tranquilo para que ele possa trabalhar em paz. Mais um motivo para elogiar a Esportes da Sorte e o banco Daycoval. Fomos conversar com eles para não tirar nosso fluxo de dinheiro e atrapalhar alguma situação, eles resolver nos ajudar com uma antecipação e para nós foi maravilhoso“, disse o então presidente à TNT Sports.
Compra de Matheuzinho contou com intervenção de fiadora

Outro negócio que só foi possível ser completado com a ajuda de um parceiro foi a compra do lateral-direito Matheuzinho. Ao todo, foi pago R$ 21,48 milhões para adquirir 60% dos direitos econômicos do defensor, mas o Corinthians pagou apenas uma parte desse montante.
De acordo com o Meu Timão, a Brax arcou com pelo menos R$ 7,58 milhões desse total. A empresa, responsável pela comercialização das placas de publicidade da Neo Química Arena, entrou como fiadora do negócio por determinação do Flamengo, que temia não receber do Corinthians.




