O reencontro entre Brasil e Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, neste domingo (05/07), traz à memória um dos capítulos mais marcantes da história recente da Seleção Brasileira. O último duelo entre as equipes em Mundiais aconteceu em 23/06/1998, em Marselha, e terminou com vitória norueguesa por 2 a 1, na terceira rodada da fase de grupos da Copa da França.
Na ocasião, o Brasil já estava classificado para as oitavas de final após vencer Escócia e Marrocos. A Noruega, por outro lado, precisava da vitória para seguir viva no torneio. Depois de sair atrás no placar, os europeus buscaram a virada nos minutos finais, em uma partida lembrada pelo pênalti cometido por Júnior Baiano sobre Tore André Flo.
Durante dias, a imprensa brasileira massacrou a arbitragem, alegando que o pênalti de Júnior Baiano havia sido um “pênalti fantasma”. No entanto, dias depois, uma rede de TV sueca divulgou imagens de um ângulo invertido (que a transmissão oficial não havia captado) que provaram que o árbitro americano estava correto: Júnior Baiano realmente havia puxado a camisa de Flo de forma acintosa dentro da área.
Apesar da derrota, a Seleção comandada por Mário Zagallo avançou como líder do grupo, eliminou Chile, Dinamarca e Holanda no mata-mata e chegou à decisão, na qual acabou derrotada pela França.
Quem eram os titulares do Brasil contra a Noruega
A equipe reunia a base campeã do mundo em 1994 e jogadores que viviam o auge da carreira.
Taffarel (goleiro) era o dono da camisa 1 e uma das principais lideranças da equipe. Bicampeão da Copa América e herói do tetra em 1994, não teve responsabilidade direta nos dois gols da Noruega.
Na lateral direita, Cafu disputava sua segunda Copa do Mundo e já se destacava pela intensidade nas subidas ao ataque. Anos depois, seria o capitão do pentacampeonato brasileiro.
A dupla de zaga foi formada por Gonçalves e Júnior Baiano. Gonçalves ganhou oportunidade porque Zagallo preservou Aldair. Já Júnior Baiano ficou marcado pelo pênalti cometido sobre Tore André Flo, lance que definiu o resultado da partida.
Pela esquerda, Roberto Carlos vivia excelente fase no Real Madrid e era uma das principais armas ofensivas da Seleção, graças à velocidade e ao potente chute de longa distância.
No meio-campo, Dunga exercia a função de capitão e principal líder em campo, enquanto Leonardo atuava de forma mais recuada, contribuindo para a organização da equipe.
Mais à frente, Rivaldo já despontava como um dos grandes talentos do futebol mundial, responsável pela criação das jogadas ofensivas. Ao seu lado apareceu Denilson, que ganhou oportunidade entre os titulares e utilizou seus dribles para tentar romper a forte marcação norueguesa.
O ataque foi formado por Bebeto e Ronaldo. Bebeto marcou, de cabeça, o único gol brasileiro, aos 33 minutos do segundo tempo. Já Ronaldo Fenômeno, então com apenas 21 anos e considerado o principal astro daquela Copa, teve boa movimentação, mas não balançou as redes.
Como foi a derrota para a Noruega
O primeiro tempo terminou empatado sem gols, com o Brasil tendo maior posse de bola, mas encontrando dificuldades para superar a forte marcação física dos noruegueses.
Na etapa final, Bebeto abriu o placar após cruzamento de Denilson. A vantagem, porém, durou pouco. Tore André Flo empatou aos 38 minutos, aproveitando uma falha defensiva brasileira.
Pouco depois, aos 43 minutos, o árbitro marcou pênalti de Júnior Baiano sobre Flo. A marcação foi muito contestada pelos brasileiros na época, mas imagens divulgadas posteriormente mostraram que houve o puxão de camisa dentro da área. Kjetil Rekdal converteu a cobrança e decretou a vitória norueguesa por 2 a 1.
Derrota não impediu campanha até a final
Embora tenha encerrado a fase de grupos com derrota, o Brasil seguiu firme na competição. Nas oitavas de final goleou o Chile por 4 a 1, superou a Dinamarca por 3 a 2 nas quartas e eliminou a Holanda nos pênaltis na semifinal.
A campanha terminou apenas na decisão, quando a França venceu por 3 a 0 e conquistou seu primeiro título mundial, em uma final marcada pelos problemas de saúde enfrentados por Ronaldo horas antes da partida. O Fenômeno teve uma convulsão e chegou a ser alijado de uma lista inicial com os titulares, mas Zagallo conversou com o jogador e mudou de ideia.
Quase 28 anos depois daquele confronto em Marselha, Brasil e Noruega voltam a se enfrentar em uma Copa do Mundo. Desta vez, o duelo vale vaga nas quartas de final do Mundial de 2026 e reacende a lembrança do único encontro entre as seleções na história do torneio.
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