Montserrat Jiménez, diretora jurídica da CONMEBOL, manifestou preocupação com a atual hegemonia dos clubes do Brasil nas competições continentais. Durante um painel da FIFA realizado em Budapeste, na Hungria, a executiva afirmou que o “descolamento vai ser muito maior” entre o futebol brasileiro e os demais vizinhos sul-americanos em um futuro próximo.
Segundo a dirigente, o cenário de domínio já é expressivo, com brasileiros vencendo todas as edições da Libertadores desde 2019. O levantamento apresentado aponta que, nos últimos 15 anos da principal competição da América do Sul, os clubes do país conquistaram 11 títulos ao todo.
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A executiva destacou que o crescimento das redes multiclubes no Brasil deve ocorrer “a 500 km/h” nos próximos anos. A projeção citada no evento indica que, até o ano de 2029, apenas um clube da Série A brasileira não será SAF.
Apesar de reconhecer que o modelo empresarial “veio para ficar”, Montserrat Jiménez alertou para os riscos de fiscalização financeira. Ela mencionou a dificuldade de rastrear a origem do dinheiro, citando o perigo da entrada do “dinheiro do narcotráfico” no financiamento das equipes.
Outro ponto crítico levantado envolve o impacto dessa nova estrutura na formação de novos atletas de base. Para a diretora, investir na formação não é rentável para investidores focados exclusivamente no lucro, o que pode prejudicar o desenvolvimento social do esporte.
O debate, que teve cobertura do ge, também expôs a resistência de outros países ao modelo brasileiro. Enquanto o Brasil avança rapidamente para as SAFs, representantes da Argentina defendem a manutenção da função social dos clubes tradicionais em seu território.
