A Série B do Campeonato Brasileiro passará por uma mudança significativa a partir de 2026. Em reunião do Conselho Técnico da CBF, os clubes aprovaram a implementação de um sistema de playoffs para definir duas das quatro vagas de acesso à Série A, alterando a dinâmica tradicional da competição.
Pelo regulamento aprovado, apenas os dois primeiros colocados garantem o acesso direto à elite. As outras duas vagas serão disputadas em um mata-mata entre os clubes que terminarem entre o terceiro e o sexto lugar, com confrontos eliminatórios em jogos de ida e volta. O terceiro colocado enfrentará o sexto, enquanto o quarto jogará contra o quinto, com as decisões marcadas para o fim da temporada.
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A proposta recebeu apoio de alguns dos dirigentes, que enxergam no novo formato uma oportunidade de tornar a Série B mais competitiva, atrativa e valorizada comercialmente. A avaliação interna é de que o modelo amplia o número de clubes envolvidos na disputa pelo acesso até as rodadas finais, mantendo o interesse do público e do mercado.
Para Fábio Pizzamiglio, presidente do Juventude, o sistema equilibra mérito esportivo e emoção. “Além de premiar quem faz uma campanha sólida para subir direto, os playoffs mantêm mais equipes vivas na briga. Isso gera mais competitividade, aumenta o interesse do torcedor e fortalece o campeonato como produto”, afirmou.
Dados históricos ajudam a justificar a adoção do mata-mata. Nas últimas edições da Série B em pontos corridos, a diferença média de pontuação entre o terceiro e o sexto colocados ficou abaixo de seis pontos, com casos frequentes de empate resolvido apenas nos critérios de desempate. O cenário reforçou a percepção de equilíbrio técnico entre essas posições.
Na visão de Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, o novo formato cria um ambiente de disputa permanente. “Mais clubes terão chances reais de acesso até o fim, o que eleva o nível dos jogos, amplia a visibilidade e atrai audiência, patrocinadores e atenção da mídia”, destacou.
A edição de 2026 da Série B começa em março e será disputada sem interrupções, inclusive durante a Copa do Mundo. Os playoffs estão programados para o final de novembro, encerrando a competição com partidas decisivas que prometem grande mobilização dos torcedores e altos índices de audiência.
Adalberto Baptista, presidente de conselho de administração do Botafogo-SP, avalia que o modelo preserva a justiça esportiva. “O acesso direto continua valorizado, mas o mata-mata evita a perda de interesse nas rodadas finais. As datas extras também ajudam no planejamento financeiro e esportivo dos clubes”, afirmou.
Antes da definição final, os 20 clubes analisaram outras duas propostas de regulamento. Uma delas previa a manutenção do sistema atual, com acesso direto para os quatro primeiros colocados após as 38 rodadas. Pedro Martins, CEO do Fortaleza, destacou que o debate foi amplo. “Discutimos diferentes formatos pensando na evolução do futebol brasileiro. O calendário longo contribui para a logística, o descanso dos atletas e a competitividade. Estamos diante de uma nova realidade, que exige adaptação e muito trabalho”, disse.
Outro modelo avaliado previa acesso automático para os três primeiros, com a última vaga decidida em um confronto direto entre quarto e quinto colocados. Apesar da aprovação do sistema com playoffs entre o terceiro e o sexto, Náutico e Sport se posicionaram contrários à mudança, manifestando oposição publicamente.
Inspirada em modelos já consolidados no futebol europeu, a Série B aposta na combinação entre regularidade e decisão. A expectativa dos dirigentes é transformar a reta final da competição em um dos períodos mais atrativos do calendário nacional a partir de 2026.
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