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Emily Lima sobre as dificuldades enfrentadas durante a carreira: “O futebol feminino te prepara para a vida”

Treinadora abordou seu pioneirismo durante a carreira e os desafios que enfrentou durante a sua trajetória

Por Redação TMC | Atualizado em
Câmera Fotográfica (Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians)

Emily Lima é uma das principais treinadoras do futebol feminino e uma figura importante na luta por mais espaço para mulheres no comando das equipes na modalidade.

Emily ganhou projeção nacional ao assumir o comando da Seleção Brasileira Feminina de Futebol em 2016, tornando-se a primeira mulher a dirigir a equipe principal na história. Ex-jogadora profissional, ela assumiu o comando do Corinthians Feminino.

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A treinadora falou sobre seu pioneirismo no futebol e ressaltou a importância de abrir portas para outras mulheres.

Foi muito mais importante para abrir essas portas do que para mim mesma. Independentemente de ser a primeira ou não, eu sempre tento buscar algo muito mais importante, que é abrir portas para outras mulheres.

Emily encerrou sua carreira como jogadora em 2009, ainda aos 29 anos, devido a uma lesão no joelho. A treinadora comentou sobre como esse episódio influenciou no restante da sua jornada como treinadora.

“É uma responsabilidade por ser uma pioneira de algumas coisas que vem acontecendo no futebol feminino, de forma tardia. Parei muito cedo de jogar, isso facilitou esses primeiros contatos com tudo. Sempre tentei ser um exemplo de pessoa, de profissional. Na época da seleção de base, na brasileira e nas outras, elas (jogadoras) têm você, e isso não é só comigo, é natural do futebol feminino, elas veem os treinadores e treinadoras como um símbolo, um exemplo, e você tem essa responsabilidade de deixar uma sementinha boa, para que elas possam cuidar.”

Como jogadora, Emily atuou no Brasil, na Espanha e na Itália. Já como treinadora, dirigiu equipes brasileiras, espanholas, além de comandar as seleções de Brasil, Equador e Peru. A técnica abordou a diferença de trabalhar em cada um dos países.

Eu sempre tentei tratar tudo com muita naturalidade, independentemente da cultura onde estou, busco ser eu mesma em qualquer lugar. Me adapto, claro, mas minha personalidade eu levo comigo para todos os lugares que eu vou. Minha comunicação com as jogadoras é a mesma. Com a imprensa, busco ser a mesma. Acredito que a gente tem que se adaptar mais na parte profissional, por conta da cultura, das escolas que são diferentes, da vivência do futebol“, comentou.

Equador e Peru são países onde o futebol feminino se desenvolveu ainda mais tarde do que no Brasil. Tenho que me adaptar muito mais a isso do que a Emily Lima em como pessoa como lidar com a parte profissional e pessoa”, completou.

Emily destacou as dificuldades e o preconceito enfrentado nos países sul-americanos durante sua carreira.

Falando em América do Sul, não é novidade para nós que é um continente muito machista. Brasil, Equador e Peru a gente sempre tem as barreiras. O futebol feminino te prepara muito para a vida, essas dificuldades, para os medos que as pessoas tentam colocar em nós, para essa insegurança. Eu não sou a mesma de quando eu iniciei em 2011 como treinadora. O tempo e a vida são os melhores professores da nossa trajetória. Aprendi muito e vou continuar aprendendo. Você acaba entendendo um pouco melhor as coisas, respirando mais para tomar decisões.

Sobre seu trabalho no Levante, da Espanha, a treinadora destacou a maior facilidade de trabalhar em um local onde o futebol feminino já é mais aceito.

Acredito que em relação ao trabalho, um país onde se tem outra cultura, onde o futebol feminino já é uma realidade, é na Espanha. Ali foi um país onde eu não precisava ficar provando as coisas, as pessoas te deixam trabalhar naturalmente. As coisas fluem”, contou Emily, destacando o ambiente que tem hoje no Corinthians.

Isso vem acontecendo no Corinthians, nessa uma semana e meia que a gente está aqui as coisas estão fluindo muito legal. A história do Corinthians é uma realidade. Isso ajuda a gente a desenvolver o trabalho. A gente tem uma diretora mulher. Pela primeira vez eu estou trabalhando com uma diretora mulher. Isso é algo novo para mim, mas está sendo muito positivo.

Sobre o avanço do futebol feminino nos últimos tempos, Emily destacou a maior visibilidade que a modalidade tem recebido.

“A partir do momento que o futebol feminino teve a oportunidade de se mostrar, de aparecer, de virar um esporte público realmente, por que o futebol feminino e o masculino tinham uma diferença muito grande, um era público e o outro para familiares. Hoje a gente vê o crescimento porque o futebol feminino está aparecendo. Eu brinco que o futebol feminino é um doce que as pessoas nunca quiseram provar, e quando provaram entenderam que é atrativo, legal, gostoso.

Recentemente, o zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, atacou a árbitra Daiane Muniz com falas machistas após uma partida contra o São Paulo, válida pelo Campeonato Paulista. O jogador recebeu 12 jogos de suspensão e foi multado em R$ 30 mil pelo TJD-SP. Já o Bragantino o multou em metade do seu salário.

Para Emily, a punição é o único caminho para acabar com o machismo no meio do futebol.

O ser humano só funciona com punição. Eu, com 45 anos, já não escuto mais isso. Tapo meus ouvidos e sigo meu trabalho. É algo que já não me toca mais. Na verdade foi algo que nunca mexeu muito comigo. Eu tive sempre uma orientação muito bem dada dentro da minha casa. É algo que eu sempre lidei com naturalidade. São pessoas infelizes, que gostariam de estar no seu lugar, no lugar de jogadores. Já passei dessa fase e toco a minha vida”, afirmou.

“A punição para mim é algo que pode mudar não só em relação à mulher, mas sim em relação ao racismo. Só punindo de verdade, mas de verdade, as coisas vão mudar para melhor“, completou.

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