Entenda a crise que abalou a Coreia do Sul após a eliminação na Copa do Mundo

Fracasso em campo, demissão do técnico, denúncias sobre a escolha do treinador e cobrança do presidente do país transformaram a queda no Mundial em uma crise nacional

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Técnico da Coreia do Sul renuncia após Coreia do Sul cair na fase de grupos
O técnico Hong Myung-bo anunciou sua saída do comando da seleção. (Foto: Eloisa Sanchez/Reuters)

A eliminação da Coreia do Sul ainda na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 foi apenas o estopim. Nos dias seguintes ao fim da campanha, o país mergulhou em uma crise que envolve a comissão técnica, a Federação Coreana de Futebol e até o presidente da República.

A seleção terminou em terceiro lugar no Grupo A, atrás de México e África do Sul, e ficou fora da fase de 16-avos de final. Em um Mundial ampliado para 48 seleções e 32 classificados para o mata-mata, o resultado foi tratado como um dos maiores fracassos da história recente do futebol sul-coreano.

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Relembre a campanha da Coreia do Sul

A equipe comandada por Hong Myung-bo estreou com vitória por 2 a 1 sobre a Tchéquia, resultado que alimentou a expectativa de classificação. Na segunda rodada, porém, perdeu por 1 a 0 para o México e chegou pressionada ao último compromisso da fase de grupos.

No confronto decisivo, a Coreia precisava ao menos pontuar diante da África do Sul para seguir viva na disputa por uma vaga entre os 32 classificados. A derrota por 1 a 0 encerrou a campanha com apenas três pontos — uma vitória e duas derrotas — e decretou a eliminação precoce da seleção.

A queda ganhou ainda mais peso porque a Coreia do Sul disputava sua 11ª Copa do Mundo consecutiva e contava com uma geração experiente, liderada por Son Heung-min, Lee Kang-in e Kim Min-jae.

A primeira consequência: a saída do técnico

Horas após a eliminação, Hong Myung-bo anunciou sua saída do comando da seleção.

Ídolo do futebol sul-coreano e capitão da histórica campanha que levou o país às semifinais da Copa de 2002, Hong já vinha sendo alvo de críticas durante o Mundial. A pressão aumentou depois da derrota para a África do Sul, principalmente pela decisão de deixar Son Heung-min no banco de reservas no confronto decisivo.

A crise começou antes da Copa

O problema, porém, é mais profundo.

A contratação de Hong, em 2024, já havia provocado uma onda de críticas. O Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul concluiu que o processo conduzido pela Federação Coreana de Futebol apresentou falhas de governança e falta de transparência. A investigação também analisou a forma como haviam sido escolhidos outros treinadores, entre eles Jürgen Klinsmann.

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Desde então, parte da torcida passou a enxergar o treinador como símbolo de uma federação que precisava de mudanças.

Presidente entrou no debate

A repercussão ultrapassou o esporte.

O presidente Lee Jae-myung criticou publicamente o desempenho da seleção e afirmou que o futebol sul-coreano precisa rever seus critérios de gestão. Segundo ele, a eliminação expôs problemas de liderança e administração que já vinham sendo apontados antes mesmo da Copa.

Uma geração talentosa, mas sem resultados

A frustração também é proporcional ao talento disponível.

A Coreia do Sul conta com jogadores de destaque no futebol europeu, como Son Heung-min, Lee Kang-in e Kim Min-jae. Por isso, a avaliação predominante na imprensa local é que o problema não foi a falta de qualidade técnica, mas sim decisões equivocadas de comando e um ambiente de instabilidade criado pela própria federação.

O que acontece agora

A Federação Coreana de Futebol terá de escolher um novo treinador enquanto continua sob pressão para reformar seus processos internos. Mais do que encontrar um substituto para Hong Myung-bo, o desafio será recuperar a confiança da torcida e responder às críticas sobre a forma como o futebol sul-coreano vem sendo administrado.

A crise que começou com uma eliminação na Copa do Mundo terminou expondo um problema muito maior: a falta de confiança dos sul-coreanos na condução do futebol do país. E, ao que tudo indica, a troca no comando técnico será apenas o primeiro passo de uma reconstrução que promete ir muito além das quatro linhas.

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