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Estudo brasileiro afirma: não há vantagem física de mulheres trans no esporte

Pesquisa analisou 52 estudos com mais de 6 mil participantes e não encontrou diferenças marcantes de desempenho após terapia hormonal

A crença, largamente difundida no Brasil e no mundo, de que atletas transgênero têm vantagem em relação a atletas cisgênero no esporte foi refutada por um grupo de pesquisadores brasileiros. A equipe, liderada pelo professor Bruno Gualano, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, realizou a maior revisão sistemática já publicada sobre o tópico, lançada na última segunda-feira (10/02) no British Journal of Sports Medicine – uma das maiores e mais respeitadas publicações do mundo no campo da ciência esportiva.

A pesquisa analisou 52 estudos que, somados, avaliam 6.485 participantes – 2.943 mulheres trans, 2.309 homens trans, 568 mulheres cis e 665 homens cis – com idades entre 14 e 41 anos. Os dados analisados pelo grupo levaram em conta o desempenho físico e a composição corporal dos participantes.

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O estudo foi publicado na mesma época em que a Suprema Corte dos Estados Unidos julga recursos dos estados de Idaho e Virgínia Ocidental, que buscam banir mulheres trans dos esportes por uma suposta “vantagem inerente” delas em relação às atletas cisgênero.

“O desempenho esportivo envolve condição física, técnica, tática, psicologia, experiência e contexto da modalidade. Não existe um único marcador que capture tudo“, explica Gualano ao Jornal da USP. “Então, a gente usa marcadores gerais de desempenho. Capacidade física é um marcador de desempenho. Força de membros inferiores, força de membros superiores, o consumo máximo de oxigênio, são indicativos. Não necessariamente quem tem esses atributos vai ganhar. Ainda mais quando a gente pensa em um esporte como, por exemplo, futebol, basquete ou vôlei, que envolve um talento inato do sujeito também, habilidades específicas, desempenho coletivo e contingências de uma partida. Isso é muito difícil de mensurar em estudos científicos”.

De acordo com o estudo, atletas mulheres transgênero – de um a três anos após o início da terapia hormonal – não apresentaram diferenças em relação a atletas mulheres cisgênero em indicadores como força nos membros inferiores e superiores, ou consumo máximo de oxigênio. A única diferença está na quantidade de massa magra, que tende a ser maior em atletas transgênero.

O professor Gualano, líder do projeto, destaca que o estudo teve também o importante papel de revelar as limitações dos estudos que já existiam sobre o tema. “Quando a gente olha para esses dois dados combinados, baixa qualidade metodológica, que se reflete em incertezas na literatura, com a ausência de diferenças para a capacidade física entre mulheres trans e mulheres cis, a gente conclui o seguinte: que a crença na vantagem competitiva, automática e universal de mulheres trans versus cis não se sustenta em boas evidências empíricas“, argumenta. “Está muito claro isso. Primeiro, porque as evidências são frágeis e, segundo, porque, na média, elas não apontam isso, ao contrário do que muitas pessoas acham”.

“É importante enfatizar o que nosso estudo não afirma”, esclarece o professor. “O nosso estudo não fala que no alto nível, no esporte de alto desempenho, as mulheres trans têm vantagem em relação às mulheres cis – ou o inverso. E a gente não fala isso por um motivo muito simples: porque esses estudos não existem, e não existem porque é raro encontrar mulheres trans competindo na elite do esporte”.

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Gualano conclui que, tendo em vista que há poucas evidências científicas sobre o tema, não há como se legitimar decisões como o banimento absoluto de pessoas transgênero em qualquer esporte. “Não estou dizendo, veja, que não seja legítima a discussão da participação de uma mulher trans no MMA, no boxe, por exemplo”.

“Caso a caso, isso precisa ser estudado. Mas o banimento total, que abrange até o xadrez, não é algo que faz sentido à luz das incertezas das evidências”, argumenta o professor. “O que não é correto é querer embasar uma normatividade, uma regra universal de proibição de mulheres trans no esporte amador, universitário e profissional, com base numa premissa que é empiricamente testável, e que, até o momento, se mostra falsa”.

Informações divulgadas pelo Jornal da USP

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