A decisão da Supercopa do Brasil, realizada neste domingo (01/02), no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, consagrou o Corinthians como campeão após uma vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo. No entanto, o espetáculo dentro das quatro linhas dividiu as atenções com os contrastes observados nos bastidores: de um lado, o sucesso econômico e a convivência pacífica na cidade; do outro, graves problemas estruturais na arena.
Em campo, o duelo foi decidido com eficiência estratégica. O Corinthians, campeão da Copa do Brasil, soube conter o ímpeto do Flamengo, atual campeão brasileiro comandado por Filipe Luís. O placar foi aberto aos 25 minutos do primeiro tempo por Gabriel Paulista, após cobrança de escanteio. A partida ganhou contornos dramáticos com a expulsão do meia rubro-negro Carrascal, após revisão do VAR, ainda na etapa inicial.
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Mesmo com a estreia de Lucas Paquetá e uma bola no travessão de Pulgar, o Flamengo não conseguiu empatar. Nos acréscimos finais, aos 52 do segundo tempo, Yuri Alberto selou a vitória em um contra-ataque fulminante, garantindo a taça para o Timão.
Brasília em festa: lucro e convivência pacífica
Fora do estádio, o evento provou ser um sucesso para a capital federal. Segundo o jornalista Marco Bello, a realização da final única trouxe um impacto econômico significativo. “A cidade ganhou muito dinheiro. Tinha muita gente andando pelas ruas, nos bares, nos restaurantes, nos shoppings”, relatou.
Um dos pontos altos foi a civilidade entre as torcidas. O jornalista destacou a ausência de confusões e a realização de festas simultâneas para ambas as agremiações na noite anterior ao jogo. “Teve festa para corintiano, teve festa para flamenguista, teve festa dupla. Flamenguista e corintiano andando lado a lado. A cidade ganha quando tem uma final única”, pontuou Bello.
Caos estrutural: “Estádio pela metade”
Se a cidade estava preparada para a festa, o Estádio Mané Garrincha deixou a desejar em infraestrutura. Marco Bello fez duras críticas às condições de trabalho e de acesso, classificando o local como “inacabado” e repleto de improvisos, os chamados “puxadinhos”.
O relato dos bastidores expôs falhas graves: “Você entra no estádio pelo subsolo, num lugar que parece um cano de esgoto. O elevador parou ontem, e eu tive que subir seis andares de escada”, contou o jornalista.
Além das dificuldades de acesso físico — que incluíram problemas para chegar ao campo, à zona mista e à sala de coletiva —, houve falhas nos serviços básicos. Durante a partida, a cabine de imprensa sofreu com queda de energia e falta de conexão. “Acabou a luz de todo mundo, acabou a internet, não pegava 3G, não pegava 5G. O estádio não tem nenhuma condição estrutural de receber um jogo desse”, concluiu Bello.
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A Supercopa em Brasília, portanto, deixa um legado duplo: a consolidação do formato de final única como atrativo turístico e econômico, mas também o alerta sobre a necessidade urgente de melhorias em uma das principais arenas do país.
