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FIA vai revisar regras de gestão de energia da Fórmula 1 após GP da China

Federação reconhece problemas com carga de bateria após críticas de pilotos e equipes depois do GP da Austrália

Por Redação TMC | Atualizado em
Câmera Fotográfica (Foto: Reprodução/X/Fórmula 1)

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) vai revisar as normas de gerenciamento de energia dos carros da Fórmula 1 depois da corrida em Xangai, marcada para domingo (15/03). Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da entidade, informou que a federação tem alternativas preparadas para aprimorar o sistema.

A dependência excessiva da carga da bateria nos veículos tem sido alvo de críticas de pilotos e equipes após o GP da Austrália.

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A FIA reconheceu as reclamações sobre o gerenciamento de energia dos carros no novo regulamento da categoria. Conforme informações do “The Race”, a federação admite que o uso da energia não está em um nível adequado. Tombazis explicou que a entidade evita decisões precipitadas no início da temporada.

As equipes concordaram em manter as normas vigentes durante as primeiras provas para acumular mais dados antes de implementar modificações. A FIA definiu o GP da China como referência para essa análise.

Mudanças no regulamento técnico geraram problemas

O novo regulamento técnico da F1 2026 alterou tanto aspectos aerodinâmicos quanto o funcionamento do motor. A parte elétrica passou a representar aproximadamente 50% da potência total do veículo. A outra metade fica a cargo do motor à combustão.

Essa ampliação da potência elétrica gerou uma consequência não prevista. Os carros enfrentam grande dificuldade na recuperação de energia. Os mecanismos tradicionais de recarga, como a frenagem ou a técnica de tirar o pé do acelerador antes nas retas (lift and coast), não têm sido suficientes para recarregar as baterias adequadamente.

A nova unidade de potência também afetou as largadas. Durante os testes de pré-temporada, os pilotos demoraram muito a acelerar quando as luzes se apagaram. A FIA introduziu um novo procedimento, utilizado no GP da Austrália. Os competidores ganharam cinco segundos extras para aumentar a rotação do motor.

O circuito de Albert Park, em Melbourne, Austrália, sediou a corrida que expôs as limitações do sistema de energia. George Russell venceu a prova. A pista é considerada uma das mais desafiadoras nesse aspecto.

A volta de apresentação não se mostrou suficiente para a recarga da bateria. Muitos pilotos relataram ter iniciado a prova sem carga. O vencedor George Russell foi superado por Charles Leclerc na largada e teve que retomar a posição.

No início da prova, Franco Colapinto escapou por pouco de acertar a Racing Bulls de Liam Lawson, que teve problema para largar.

Ultrapassagens influenciadas pela bateria

A corrida em Albert Park registrou 120 ultrapassagens. Muitas delas foram influenciadas pela carga das baterias. A disputa pela liderança entre Russell e Leclerc exemplificou essa situação.

Podem surgir diferenças de velocidade de 30, 40 ou 50 km/h entre os carros durante a corrida, dependendo do gerenciamento de bateria realizado pelos pilotos.

Quando os pilotos utilizam o modo de ultrapassagem, que libera mais potência ao motor, ou o boost, eles ganham velocidade suficiente para superar um rival na pista. Como a recuperação de energia está abaixo do ideal, o piloto que está atrás com mais bateria consegue contra-atacar e recuperar a posição.

O problema do superclipping, que consiste no término da bateria no meio de uma reta e a consequente perda de potência, foi tema recorrente durante o fim de semana.

Max Verstappen comparou a corrida ao jogo Mario Kart, onde os personagens podem usar poderes durante a prova. O holandês comentou: “Você ultrapassa na reta e pode ser atacado imediatamente. Talvez isso não tenha me incomodado tanto, porque temos um pouco mais de velocidade nas curvas do que muitas outras equipes. Mas no meio do pelotão aconteceram coisas parecidas com Mario Kart”, disse o holandês

Lando Norris e Verstappen classificaram a corrida como “artificial”. O piloto da McLaren expressou temor pela segurança dos pilotos, não apenas na largada, mas considerando toda a corrida.

“Tudo depende do que as pessoas fazem, mas podem surgir diferenças de velocidade de 30, 40 ou 50 km/h. Se alguém tocar outro carro com esse tipo de diferença de velocidade, pode acabar sendo lançado para o ar, passando por cima das cercas, e pode se machucar seriamente, ou machucar os outros. Isso é uma coisa horrível de se pensar”, disse Norris.

A questão gerou preocupações com um possível acidente grave.

Tombazis declarou sobre o cronograma de revisão: “A posição unânime das equipes foi de que deveríamos manter as regras atuais pelas primeiras corridas, e rever o assunto quando tivermos um pouco mais de dados. A nossa intenção é rever a situação do gerenciamento de energia depois da China”.

O diretor de monopostos da FIA acrescentou: “Temos algumas cartas na manga sobre isso, que não queremos introduzir depois da primeira corrida como uma reação instintiva, e vamos revisar com as equipes depois da China”.

Tombazis não revelou quais são as possibilidades específicas que a FIA está avaliando para modificar as regras de gerenciamento de energia. A entidade mantém em sigilo as alternativas que possui preparadas.

Após a corrida na China, a Fórmula 1 terá uma semana de pausa. A categoria retornará no dia 29 com o GP do Japão. A FIA avaliará as mudanças necessárias no gerenciamento de energia dos carros durante esse período. Caso a federação considere que mudanças são necessárias, poderá anunciá-las para a prova em Suzuka.

Leia Mais: Hamilton vê Ferrari capaz de rivalizar com Mercedes na temporada após GP da Austrália

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