As declarações de Vincent Kompany, técnico do Bayern de Munique, e de Filipe Luís, do Flamengo, sobre o caso de racismo envolvendo Gianluca Prestianni e Vinicius Júnior causaram revolta em torcedores e personalidades da mídia pelas diferenças de tom e gravidade utilizadas por cada treinador ao descrever o caso, ocorrido durante a partida entre Real Madrid e Benfica na última terça (17/02).
Enquanto Kompany foi claro ao condenar o racismo e criticou o treinador benfiquense José Mourinho por “atacar o caráter” de Vini, Filipe preferiu colocar panos quentes no assunto, chamando o incidente de “caso isolado” e afirmando que se trata da “palavra de um contra outro”.
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Para muitos, a reação de Filipe Luís desapontou: além de ser compatriota de Vini, ambos são atletas de seleção brasileira com raízes no Flamengo. Uma publicação viral na rede social X, antigo Twitter, coloca as duas falas lado a lado e diz: “Que decepção, Filipe”.
Vincent Kompany, um dos poucos técnicos negros em times de elite no futebol atualmente, discursou por 12 minutos sobre o tema em uma conferência de imprensa; sem condenar ativamente Prestianni, o ex-zagueiro da seleção belga e do Manchester City defendeu Vini, dizendo que a reação do atacante ao que ouviu “não pode ser fingida”.
O técnico do Bayern ainda criticou José Mourinho, do Benfica, pelo modo como se comportou após a partida. Em entrevistas, Mourinho questionou tanto a acusação de Vinicius quanto a sua postura em campo; para Kompany, isso foi “ainda pior” do que o incidente em si.
“Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele, para desmerecer o que ele estava fazendo naquele momento. Foi um erro enorme em termos de liderança”, opinou.
“Ele [Mourinho] disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960?“, questionou Kompany.
Enquanto isso, o ex-lateral da seleção brasileira preferiu abordar a questão de forma distante. Para Filipe Luís, o incidente representa “um tema muito mais delicado do que pensamos”, e que “envolve muitas coisas”. Filipe também rasgou elogios à Argentina, de onde Prestianni vem: “A Argentina me encanta (…). Só tenho boas palavras para a Argentina. Um caso isolado como esse não influencia em nada do que penso sobre este país, que é tão lindo“, discursou.
O técnico do Flamengo descreveu o caso como sendo uma questão polêmica de dois lados: “Ele [Prestianni] tapou a boca – e não deveria ter tapado a boca para dizer o que deveria dizer -, e isso gera toda essa revolta e agora é a palavra de um contra de outro (…) e não sou eu quem pode julgar“, afirmou Filipe em coletiva na Argentina. O técnico estava no país com o Flamengo em virtude da partida contra o Lanús, pela Recopa Sul-Americana.
“De um lado, um treinador belga do Bayern da Alemanha fez um pronunciamento de 12 minutos defendendo o óbvio: A vítima, o brasileiro Vinicius Júnior.
Do outro, um treinador brasileiro de time brasileiro (time esse que revelou o vini) fala que é uma situação de “palavra de um contra o outro” e que a Argentina (nacionalidade do jogador agressor) “encanta” ele. Ainda diz que é um “caso isolado”.. em declarações que somadas não dão nem um minuto.
Que decepção, Filipe”, disse a conta @DataFutebol no X.
O caso entre Benfica, Prestianni, Vini Jr. e Real ainda está sendo investigado. O clube português e o jogador negam as acusações. A Justiça também analisa imagens que mostram torcedores do Benfica imitando – com gestos e voz – macacos quando o atacante brasileiro se aproximava durante o jogo.
