Força física, o cérebro de Ødegaard e Haaland móvel: como joga a Noruega, adversária do Brasil

Com média de estatura próxima de 1,90m e estrelas da Premier League, a equipe comandada por Ståle Solbakken aposta em táticas peculiares ofensivas

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Equipe da Noruega comemora gol de Haaland que garantiu a vitória contra a Costa do Marfim nos 16 avos de final da Copa. (Foto: REUTERS/Issei Kato)

A classificação da Noruega estabelece um desafio tático inédito para o técnico Carlo Ancelotti no comando do Brasil. A equipe europeia chega credenciada por uma grande campanha nas eliminatórias, onde terminou na liderança de sua chave e mandou a Itália para a repescagem continental.

Sob o comando do treinador Ståle Solbakken, os nórdicos se consolidaram como uma equipe de futebol vertical e de forte imposição física, registrando a marca expressiva de 37 gols marcados em apenas 8 exibições no torneio qualificatório europeu.

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Os nórdicos garantiram a vaga no mata-mata da Copa do Mundo de 2026 após vencerem a Costa do Marfim por 2 a 1 nesta terça-feira (30/06). Antes de eliminar os marfinenses, os comandados de Solbakken construíram uma campanha sólida no Grupo I da competição, somando vitórias sobre o Iraque por 4 a 1 e o Senegal por 3 a 2. O único tropeço da primeira fase ocorreu no duelo contra a badalada seleção da França, onde os noruegueses acabaram superados pelo placar de 4 a 1 atuando com uma formação modificada.

O encaixe do meio-campo e a dependência de Ødegaard

A estrutura tática da equipe se desenvolve a partir de um sistema base que varia entre o 4-1-4-1 e o 4-3-1-2 com bola. A engrenagem defensiva e os primeiros passes no campo de defesa passam pelos pés do primeiro volante Sander Berge, titular do Fulham. Ele recua entre os zagueiros centrais para qualificar a saída de jogo e acionar as transições rápidas.

Ao lado dele, o meio-campista Fredrik Aursnes desempenha um papel de versatilidade e intensidade, preenchendo os espaços vazios e dando sustentação física ao setor.

O grande cérebro da equipe é o capitão Martin Ødegaard, meio-campista do Arsenal e principal articulador do elenco. O camisa 10 joga flutuando entre as linhas de marcação adversárias, sendo o encarregado de ditar o ritmo ofensivo e desestruturar os blocos defensivos com passes em profundidade.

Quando Ødegaard apresenta desgaste ou problemas físicos, o treinador costuma recuar as linhas para um 4-4-2 mais rígido, promovendo a entrada do volante passador Patrick Berg para reter a posse e proteger a zaga.

Pelo lado esquerdo do campo, a Noruega encontra sua principal válvula de escape nos dribles do jovem Antonio Nusa, que marcou um golaço no duelo dessa terça-feira. O ponta-esquerda do RB Leipzig, conhecido como “Neymar Norueguês” traz o elemento de imprevisibilidade ao time, buscando constantemente os duelos individuais de um contra um e as arrancadas em direção ao fundo. Essa movimentação costuma abrir espaço para as ultrapassagens do lateral-esquerdo David Møller Wolfe, criando um efeito dominó que desarticula as linhas defensivas e atrai coberturas dos zagueiros centrais.

O “pivô na ponta”: a estratégia com Alexander Sørloth

A principal excentricidade coletiva da equipe escandinava na Copa do Mundo atende pelo posicionamento de Alexander Sørloth. O atleta de 1,95m de altura, que atua originalmente como centroavante de referência no Atlético de Madrid, vem sendo escalado como um falso ponta pelo lado direito. Essa escolha estratégica serve como uma rota de fuga essencial para a Noruega progredir em campo sempre que os rivais tentam bloquear as linhas de passe pelo chão.

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O lançamento longo direcionado ao corredor direito gera uma clara vantagem física contra os laterais-esquerdos adversários. Longe dos zagueiros centrais, Sørloth usa sua estatura para sustentar o contato físico e fazer o pivô na faixa lateral do campo.

Ao prender a bola e atrair a marcação, o atacante abre um corredor livre para as projeções ofensivas do lateral-direito Julian Ryerson, do Borussia Dortmund, mecanismo tático que gerou três gols na fase de grupos do torneio.

Haaland móvel e a agressividade na marcação alta

O centroavante Erling Haaland opera como a principal referência técnica e condiciona toda a postura tática dos oponentes. O camisa 9 do Manchester City chega para o enfrentamento contra o Brasil como um dos artilheiros do Mundial, somando 5 gols marcados ao longo do torneio. O atacante não se limita a esperar os cruzamentos dentro da grande área, demonstrando enorme mobilidade para sair do raio de ação dos defensores e arrematar de média distância.

O plano defensivo de Ståle Solbakken busca proteger seus zagueiros titulares, Kristoffer Ajer e Leo Østigård, que carecem de velocidade.

Para evitar a exposição dos defensores em campo aberto, a Noruega se posiciona defensivamente em um bloco médio compacto, fechando o meio e induzindo o rival ao erro. Assim que recupera a posse, o time aciona os meias de forma rápida para explorar as arrancadas letais de Haaland nas costas das linhas defensivas altas.

O perigo da bola parada e o fechamento da área

O repertório do país europeu na competição internacional também apresenta um alto aproveitamento nas bolas paradas ensaiadas. A comissão técnica aproveita o porte físico imponente de seus atletas para criar bloqueios na área pequena e buscar finalizações nos cruzamentos direcionados ao segundo poste.

Esse mesmo vigor físico transforma a Noruega em uma das equipes que menos sofre gols em jogadas aéreas defensivas nesta Copa do Mundo.

O duelo contra a Seleção Brasileira está agendado para o próximo domingo (05/07), às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e vai definir um dos classificados para as quartas de final da Copa.

Leia mais: Próxima adversária, Noruega é a única seleção que nunca perdeu para o Brasil; confira retrospecto

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