O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube vota nesta sexta-feira (16/01) o pedido de impeachment do presidente Julio Casares, acusado de gestão irregular ou temerária.
A sessão ocorre no Morumbi enquanto o clube enfrenta uma investigação da Polícia Civil sobre saques de R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas da instituição entre 2021 e 2025.
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A solicitação para afastar Casares foi apresentada por 57 dos 255 conselheiros do clube. Para aprovação do impeachment, serão necessários no mínimo 191 votos favoráveis durante a reunião. Se esse número for alcançado, o dirigente será imediatamente removido do cargo.
A defesa de Casares argumenta que não existem fundamentos legais para justificar seu afastamento da presidência do tricolor paulista.
Os advogados alegam que os depósitos de R$ 1,5 milhão identificados em sua conta pessoal no mesmo período seriam provenientes de sua atividade anterior como publicitário, quando recebia parte da remuneração em espécie.
A crise institucional no São Paulo acontece em janeiro de 2026, mas as investigações abrangem um período que começa em 2021, quando iniciaram os saques em dinheiro vivo, e se estende até 2025.
Julio Casares é o principal alvo das investigações e pode responder por associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita, conforme apuração da Polícia Civil de SP. O clube é considerado vítima no caso.
Os fatos investigados ocorreram na sede do São Paulo e no estádio do Morumbi, onde também há apurações sobre exploração clandestina de camarotes envolvendo outros diretores.
Segundo as investigações, funcionários do São Paulo inicialmente realizavam os saques em dinheiro. Posteriormente, uma empresa de transporte de valores passou a executar as retiradas dos R$ 11 milhões.
O destino desses recursos ainda não foi esclarecido. O clube contratou peritos nesta semana para reunir notas fiscais na tentativa de comprovar para onde foram os valores.
“Não há uma relação de vinculação, nem direta nem indireta, entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta do Julio”, afirmou Bruno Borragini, advogado de Casares.
A Polícia Civil também investiga um esquema de exploração clandestina de camarotes no Morumbi, que envolveria Douglas Schwartzmann e Mara Casares, ex-esposa do presidente. Ambos pediram licença de seus cargos no clube após as acusações virem à tona.
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Em áudios divulgados pela imprensa, Douglas Schwartzmann fala sobre divisão de lucros: “Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança”. Os advogados dos diretores afastados negam as acusações e argumentam que os áudios foram retirados de contexto.
Caso o impeachment seja aprovado nesta sexta-feira, o Conselho Deliberativo deverá seguir os procedimentos estatutários para definir a sucessão na presidência do São Paulo.
