Impunidade e violência: comentaristas debatem regra de torcida única em SP

Um debate acalorado no programa Papo de Craque trouxe à tona, mais uma vez, a complexa relação entre as torcidas organizadas, a violência no futebol e a medida de “torcida única” vigente nos clássicos paulistas. A discussão foi iniciada após a leitura do comentário de um ouvinte, que acusou a bancada de “criminalizar” as organizadas e ignorar […]

Por Redação TMC | Atualizado em
Raniele com a torcida do Corinthians de fundo, em Itaquera
Clássico entre Corinthians e Palmeiras, no último domingo (08/02), teve apenas torcedores alvinegros (Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Um debate acalorado no programa Papo de Craque trouxe à tona, mais uma vez, a complexa relação entre as torcidas organizadas, a violência no futebol e a medida de “torcida única” vigente nos clássicos paulistas. A discussão foi iniciada após a leitura do comentário de um ouvinte, que acusou a bancada de “criminalizar” as organizadas e ignorar sua história de apoio aos clubes.

A bancada se dividiu em dois eixos argumentativos principais: a defesa das liberdades individuais contra a ineficiência do Estado e a visão pragmática da segurança diante de uma sociedade violenta.

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A tese da “liberdade” e falha do Estado

O jornalista Marco Bello defendeu o fim da torcida única e o retorno da convivência entre rivais nos estádios. Sua argumentação baseia-se na premissa de que a proibição pune a maioria pacífica devido às ações de uma minoria violenta.

“Sou a favor da liberdade. Espero que as autoridades tenham competência e menos preguiça para deixar com que as torcidas organizadas estejam juntas”, afirmou Bello. Para ele, “99% dos torcedores organizados são gente de bem”, e a medida restritiva seria um atestado de falha do policiamento e da segurança pública em gerir grandes eventos.

A visão pragmática e a crítica à impunidade

Em contraponto, o comentarista Thomaz Rafael sustentou que, embora não se deva generalizar todos os torcedores como bandidos, o histórico de confrontos não pode ser ignorado. Para ele, o cerne da questão não é a torcida organizada em si, mas a impunidade garantida por leis consideradas “frouxas”.

“O problema é o nosso governo que mantém essas leis. A pessoa mata e sai da cadeia depois de pouco tempo”, argumentou Thomaz. Ele rebateu a ideia de que a volta das duas torcidas seria segura apenas com policiamento, lembrando que a violência se espalhou para fora dos estádios, ocorrendo em estações de metrô e arredores, locais onde a escolta policial é inviável para a massa total de torcedores. A manutenção da torcida única, segundo essa visão, seria uma medida de contenção necessária diante de uma realidade social violenta.

O exemplo de Rio Claro

Para ilustrar o comportamento extremista que motiva a criminalização de certos grupos, a bancada citou um episódio recente ocorrido em Rio Claro (SP). Torcedores do Velo Clube invadiram o treinamento da equipe para ameaçar os jogadores, exigindo a vitória a qualquer custo, chegando ao ponto de sugerir violência física contra adversários — citando até o jogador Neymar como alvo — caso fosse necessário para evitar o rebaixamento. “Se tiver que tirar o Neymar da Copa, tira.”

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