Nesta quarta-feira (11/03), o ministro do Esporte do Irã, Ahmad Doyanmali, anunciou que o país não participará da Copa do Mundo deste ano. A morte do aiatolá Ali Khamenei, que liderou o país nos últimos 36 anos, é a principal justificativa apresentada pelo governo iraniano.
No último dia 28 de fevereiro, o Irã foi atacado por Israel e pelos Estados Unidos, país que sediará a maior parte das partidas do torneio, incluindo as três da equipe na primeira fase. México e Canadá também vão sediar a Copa.
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Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol, concedeu entrevista recentemente. O dirigente afirmou ser “improvável olhar para a Copa do Mundo com esperança”. Taj teve o visto negado em dezembro de 2025 e não conseguiu comparecer ao sorteio dos grupos.
A Fifa promoveu um evento nos Estados Unidos na semana passada com reuniões e workshops preparatórios para o Mundial. O Irã foi o único país classificado sem representação no encontro.
A tensão diplomática entre Irã e Estados Unidos gera dúvidas sobre a segurança da delegação em solo norte-americano. O Mundial está programado para começar daqui a três meses.
Histórico de ausências e boicotes em Copas do Mundo
Caso o Irã opte por não participar, o país se juntará a uma lista de seleções que desistiram ou boicotaram a competição ao longo da história.
Grã-Bretanha em 1930, 1934 e 1938
As seleções britânicas só disputaram uma Copa do Mundo em 1950, no primeiro torneio após a Segunda Guerra Mundial. Antes disso, os representantes da Grã-Bretanha não valorizavam a competição. Os países entendiam que o campeonato disputado entre eles tinha maior importância.
Uruguai em 1934
O Uruguai é a única seleção que não defendeu o título na Copa do Mundo seguinte. O país sediou o primeiro Mundial em 1930 e recebeu apenas quatro equipes europeias, número considerado baixo na época. Em 1934, a equipe uruguaia se recusou a viajar até a Itália como forma de protesto.
Uruguai e Argentina em 1938
Após a Copa realizada na Itália, Argentina e Uruguai acreditavam que o Mundial voltaria para a América do Sul. A Argentina tinha interesse em sediar o torneio. A Fifa manteve a competição no continente europeu e permitiu que a França fosse a organizadora em 1938. As duas seleções desistiram de participar em reação à decisão. Outras equipes da América Latina também boicotaram a competição, com exceção de Brasil e Cuba.
Índia, França, Portugal, Turquia, Irlanda e Escócia em 1950
A Índia não participou da Copa de 1950 por falta de recursos para arcar com as despesas da viagem ao Brasil. O país priorizava os Jogos Olímpicos, competição em que participou no futebol dois anos antes. Circulou por muito tempo o boato de que o boicote aconteceu porque a Fifa proibiu os jogadores indianos de jogarem descalços, como estavam acostumados.
França, Portugal, Turquia e Irlanda não quiseram participar do Mundial de 1950 por questões logísticas, principalmente pelo alto custo para fazer viagens longas no Brasil.
A Escócia havia sido derrotada pela Inglaterra no Campeonato Britânico de Seleções, mas se classificou para o torneio. A seleção desistiu de participar por entender que apenas o campeão entre os britânicos deveria estar na competição.
Egito, Sudão, Turquia e Indonésia em 1958
Na época da Copa de 1958, havia apenas uma vaga para África e Ásia, disputada em eliminatória entre seus campeões. Israel havia vencido na Ásia e deveria enfrentar uma equipe africana. Egito e Sudão se recusaram a jogar contra a seleção, principalmente porque uma das partidas foi marcada para solo israelense.
A Fifa convidou Turquia e Indonésia, que disputavam as Eliminatórias da Ásia, para jogar a partida. Ambos os países também recusaram. País de Gales disputou dois jogos contra Israel, que não poderia se classificar sem entrar em campo. Os britânicos venceram as duas partidas e foram ao Mundial.
Boicote de 16 seleções africanas em 1966
Nas Eliminatórias para a Copa de 1966, 16 seleções africanas iniciaram um protesto contra a Fifa. As federações do continente defendiam que a entidade deveria garantir uma vaga direta para os africanos. Os países reivindicavam que não deveriam jogar uma eliminatória contra um representante de outro continente. O boicote aconteceu durante a fase classificatória do torneio.
Quatro anos depois, o Mundial passou a dar uma vaga direta ao continente africano. O continente asiático também passou a ter uma vaga garantida.
União Soviética em 1974
A Copa do Mundo de 1974 teve pela primeira vez uma eliminatória entre seleções asiáticas e europeias para definir uma das vagas. União Soviética e Chile disputaram a primeira partida em Moscou, que terminou em empate sem gols.
A Federação Soviética de Futebol se recusou a jogar a partida de volta em Santiago. O jogo estava marcado para o Estádio Nacional, local onde prisioneiros da ditadura militar estavam e eram torturados.
A entidade soviética divulgou uma nota na época. No comunicado, a federação afirmou que os soviéticos não poderiam estar no estádio em respeito ao “sangue derramado de patriotas chilenos”.
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