Os jogadores do Irã que vão disputar a Copa do Mundo receberam vistos para entrar nos Estados Unidos, disse uma autoridade da Casa Branca à Reuters nesta sexta-feira (05/06), apenas dez dias antes de sua estreia em Los Angeles, em meio a um conflito entre os dois países.
O embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, afirmou na noite de quinta-feira (04/06) que a seleção ainda não havia recebido seus vistos norte-americanos, mas eles acabaram sendo concedidos durante a noite, segundo uma autoridade da Casa Branca.
Não foi possível contatar imediatamente um porta-voz da federação iraniana da Copa do Mundo para comentar o assunto.
Teerã negociou uma mudança de última hora na base da equipe do Arizona para Tijuana, no México, devido aos problemas com os vistos e à crescente pressão no Irã para que a presença da seleção nos Estados Unidos fosse mantida ao mínimo.
A chegada da equipe a Tijuana está prevista para a manhã de domingo (06/06).
O Irã estreará no Grupo G em 15 de junho contra a Nova Zelândia, em Los Angeles, onde também enfrentará a Bélgica antes de jogar contra o Egito em Seattle.
A guerra no Irã transformou a Copa do Mundo – maior evento esportivo global – em uma disputa geopolítica, com ambos os lados aparentemente utilizando o torneio para demonstrações políticas.
Esta é a primeira Copa do Mundo, desde sua criação em 1930, em que um país anfitrião receberá uma nação com a qual está em guerra.
Os Estados Unidos nunca disseram formalmente que não queriam que a seleção iraniana permanecesse em seu território, afirmou o embaixador Pasandideh.
No entanto, o secretário de Estado Marco Rubio disse a parlamentares na terça-feira que os EUA não permitiriam que o Irã incluísse em sua delegação para a Copa do Mundo indivíduos ligados à Guarda Revolucionária, um poderoso ramo das Forças Armadas iranianas.
Isso poderia se aplicar a vários jogadores da seleção iraniana que cumpriram o serviço militar obrigatório no grupo.
O presidente da federação de futebol do Irã, Mehdi Taj, teve sua entrada negada para o sorteio do torneio em Washington, em dezembro. Taj é um ex-comandante da Guarda Revolucionária.
O desejo do Irã de competir na Copa do Mundo ressalta seus esforços para chegar a uma resolução na guerra com Washington, disse Pasandideh.
“A participação do Irã na Copa do Mundo – mesmo em território considerado inimigo – demonstra que o Irã busca a paz”, disse Pasandideh, falando por meio de um intérprete de espanhol na embaixada iraniana na Cidade do México.
O progresso nas negociações de paz entre o Irã e os EUA tem sido lento, com ambos os lados aparentemente caminhando a passos lentos em direção a um acordo provisório, mesmo enquanto continuam realizando ataques militares.
Por Emily Green, da Reuters




