Um tribunal em San Isidro, próximo a Buenos Aires, reinicia nesta terça-feira (14/04) o processo contra sete profissionais de saúde acusados de homicídio por negligência no falecimento de Diego Maradona. O ex-jogador morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos. O julgamento anterior foi cancelado após violação de normas judiciais por uma das magistradas.
O processo ocorre quase um ano depois da anulação do primeiro julgamento. Aquele processo havia começado em março de 2025 e durou dois meses de audiências. A anulação aconteceu após a juíza Julieta Makintach deixar o cargo.
Um vídeo mostrou a magistrada sendo entrevistada por uma equipe de filmagem nos corredores do tribunal e em seu escritório. As imagens faziam parte de um documentário. A conduta violou as regras judiciais.
Maradona sofreu um ataque cardíaco enquanto se recuperava de uma cirurgia cerebral para remoção de um coágulo sanguíneo. O campeão da Copa do Mundo de 1986 estava em uma casa durante o período de recuperação.
Acusados e testemunhas
Os réus são a psiquiatra Agustina Cosachov, o neurocirurgião Leopoldo Luque, o psicólogo Carlos Ángel Díaz, a médica Nancy Edith Forlini, o enfermeiro Ricardo Almirón, o enfermeiro-chefe Mariano Ariel Perroni e o médico Pedro Pablo Di Spagna. Uma oitava ré, a enfermeira Dahiana Madrid, será julgada por um júri separado, sem data definida.
O tribunal ouvirá depoimentos de pouco menos de 100 testemunhas. Todos os membros da equipe médica negaram qualquer irregularidade.
As penas de prisão para os acusados, em caso de condenação, variam de 8 a 25 anos.
Investigação e acusações
As acusações de negligência surgiram em 2021. Os promotores nomearam uma junta médica para investigar a morte de Maradona. O painel concluiu que a equipe médica agiu de forma “inadequada, deficiente e imprudente”.
No julgamento inicial, os promotores argumentaram que os profissionais da área médica violaram os protocolos de tratamento. Afirmaram que a casa onde Maradona estava se recuperando de uma cirurgia se assemelhava a um “teatro de horror”, onde os cuidados necessários não foram prestados.
A defesa argumentou que a morte era inevitável devido a problemas de saúde de longa data. Maradona lutou durante décadas contra o vício em cocaína e álcool.
O novo julgamento exigirá que promotores e advogados de defesa reavaliem suas estratégias. O primeiro processo já havia exibido fotografias, vídeos, gravações de áudio e provas forenses. Diversas testemunhas, incluindo os filhos de Maradona e sua ex-esposa, Claudia Villafane, já prestaram depoimento no julgamento anterior.




