O Kiribati, país localizado no Oceano Pacífico, possui pouco mais de 100 mil habitantes e apresenta prognósticos preocupantes: devido ao aumento do nível do mar causado pelas mudanças climáticas, o local pode desaparecer do mapa, sendo inundado pelas águas salgadas e ficando inabitável nos próximos anos. Entretanto, o país quer realizar um sonho: disputar a Copa do Mundo de 2030.
“O futebol é a nossa paixão e, apesar de nossa pequena extensão territorial, sonhamos grande. A Copa do Mundo de 2030 pode ser a nossa última chance de celebrar o futebol como uma nação e nós queremos estar lá. Isso não é apenas sobre futebol, é sobre construir algo do zero. Um legado, uma história que o mundo sempre vai se lembrar”, afirma Eriati Reebo, presidente da Federação de Futebol das Ilhas Kiribati.
Para atingir o grande objetivo, a Seleção de Kiribati está em processo de filiação à OFC (Confederação de Futebol da Oceania). Além disso, o país realizará um trabalho de profissionalização esportiva que visa atrair nomes consagrados do futebol mundial para compor a equipe técnica.
“Somos uma pequena e maravilhosa nação insular do Pacífico, muito afetada pelo aumento do nível do mar. Por conta disso, realizamos um convite aos maiores nomes do futebol mundial para que nos ajudem nesse processo. Solicitamos o apoio dos melhores diretores, treinadores e jogadores para que se juntem a nós para a realização deste grande sonho”, complementa Eriati.
O objetivo da Federação de Futebol das Ilhas Kiribati (KIFF) é, por meio das Eliminatórias da Oceania, buscar uma vaga para a edição do Mundial que será disputada em Portugal, Espanha, Marrocos, Uruguai, Argentina e Paraguai.
Eriati Reebo realizou um pronunciamento pedindo que o mundo do futebol dê uma chance ao arquipélago e possibilite que o país esteja presente nas próximas Eliminatórias do continente. Com um trabalho de impacto internacional, o país almeja estabelecer parcerias com confederações e atletas de relevância mundial para fortalecer e preparar a equipe para o desafio.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que atua em questões ligadas às mudanças climáticas e seus efeitos, como a elevação do nível do mar, é aliado do Kiribati neste projeto.
“O PNUMA tem se engajado com campanhas e parceiros que reconhecem o papel poderoso que o esporte e as plataformas de comunicação podem desempenhar na conscientização e mobilização para a ação climática. Plataformas esportivas globais — incluindo o futebol — oferecem oportunidades importantes para ampliar a visibilidade dos riscos climáticos existenciais que atingem países vulneráveis como Kiribati”, afirma Mirey Atallah, chefe do Departamento de Adaptação e Resiliência da Divisão de Mudanças Climáticas do PNUMA.
O Kiribati é o único país do mundo presente nos quatro hemisférios (Norte, Sul, Ocidental e Oriental), além de ser a primeira nação do planeta a celebrar o Ano Novo. O arquipélago tem o gilbertês e o inglês como idiomas oficiais e seu ponto mais alto possui apenas 81 metros de altitude.




