Hernan Crespo foi o quinto técnico demitido que iniciou o Campeonato Brasileiro. Roger Machado é o seu substituto e completa o ciclo de mudanças de um quarto de todas as equipes que disputam a principal competição nacional. O número fica ainda mais impressionante se pensar que foram apenas quatro rodadas do Brasileirão. Ou seja, em média, mais de um técnico demitido por rodada.
É claro que a conta não é exatamente só essa. É preciso levar em consideração o calendário completamente peculiar do futebol brasileiro. Filipe Luís não caiu no Flamengo porque perdeu na estreia do campeonato para o São Paulo. Mas porque perdeu dois títulos de pré-temporada para Corinthians e Lanús, times muito inferiores, na cabeça dos arrogantes dirigentes Rubro-negros. E assim foi mandado embora o atual campeão brasileiro.
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Crespo, que derrotou o Flamengo na estreia do Brasileirão, emendou depois disso sete vitórias, um empate e uma única derrota para o rival e riquíssimo Palmeiras na semifinal do Paulistão. Bastou para perder o emprego. Mesmo vice-líder do Campeonato Nacional.
É uma loucura. Jorge Sampaoli no Galo, Juan Carlos Osório no Remo e Fernando Diniz no Vasco foram as outras vítimas. Todos já tem substitutos. Eduardo Domingues no Atlético Mineiro. Léo Condé no Remo. Renato Gaúcho no Vasco. Leonardo Jardim no Flamengo. E agora Roger Machado no São Paulo. Todos assinaram contratos longos. Nenhum tem segurança de absolutamente nada.
No Brasil, histórias como as de Abel Ferreira no Palmeiras, Renato no Grêmio, Mestre Telê Santana no São Paulo sempre serão raras. Sempre serão exceções, não a regra. Não importa o quanto os clubes se dizem profissionais. O quanto se cobra e se gasta em multas rescisórias. Nada disso tem valor. Na hora da pressão, do protesto da torcida organizada, da gritaria nas redes sociais e, principalmente, quando aquele conselheiro influente buzina no ouvido do presidente preocupado com a próxima eleição, todos os argumentos viram pó.
E assim seguimos. Rodando em círculos. Correndo atrás do próprio rabo. O tempo não pára. Mas também não anda. No filme repetido do futebol brasileiro.
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