Fabiano Farah
Fabiano Farah Mais sobre o autor

Fabiano Farah é jornalista, atuando na profissão desde 1995. Setorista do Santos FC, soma décadas de jornalismo esportivo, com experiência na cobertura de eventos nacionais e internacionais. No comando do canal "E SÓ DÁ SANTOS", ele traz para a TMC informações exclusivas e uma análise apaixonada sobre o Peixe.

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O equilíbrio da corda bamba: Cuca e o peso da própria história

Entre títulos estaduais e a eterna sombra de Berna, treinador assume o Santos com o desafio de provar que ainda pertence à elite do futebol brasileiro

Por Fabiano Farah | Atualizado em
(Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

O anúncio de Cuca como o novo comandante do Santos nesta quinta-feira (19 de março de 2026) não é apenas mais uma peça na “dança das cadeiras” dos técnicos brasileiros. É, acima de tudo, a reafirmação de um ciclo que parece se repetir: o talento tático de Alexi Stival enfrentando a resistência das arquibancadas e o peso de um passado que a justiça suíça tentou encerrar, mas que a opinião pública insiste em manter aberto.

O Retrospecto Recente:

Entre Taças e Saídas Abruptas

Os últimos dois anos de Cuca foram um microcosmo de sua carreira: intensidade máxima, resultados imediatos e términos antes do esperado.

Athletico Paranaense (2024):

Cuca assumiu o Furacão em março de 2024, logo após a anulação de sua sentença na Suíça. No campo, o impacto foi positivo com o título paranaense, mas a relação desgastou-se rapidamente. Em junho, após uma sequência de empates e críticas à falta de reforços e à “pressão desproporcional”, ele pediu demissão, deixando o clube em uma saída conturbada.

Atlético-MG (2025):

Em sua quarta passagem pelo Galo, Cuca manteve a mística de “vencedor”. Conquistou o hexacampeonato mineiro em 2025, mas não resistiu à eliminação na Copa do Brasil para o rival Cruzeiro e aos tropeços no Brasileirão. Saiu em agosto, após oito meses, somando 22 vitórias em 47 jogos.

A Situação Jurídica:

O “Limbo” de Berna

É impossível analisar o trabalho de Cuca sem mencionar o campo extracampo. Em janeiro de 2024, o Tribunal de Berna-Mittelland anulou a sentença de 1989. Tecnicamente, Cuca é inocente perante a lei, pois o processo foi extinto por irregularidades processuais (falta de defesa legal na época).

No entanto, a anulação ocorreu por uma tecnicalidade e não pela reavaliação do mérito (o ato em si). Para os clubes, isso oferece segurança jurídica; para parte das torcidas, permanece uma mancha moral que gera protestos a cada nova contratação.

O Desafio na Vila Belmiro

Ao substituir Juan Pablo Vojvoda, Cuca chega ao Santos com um contrato até dezembro de 2026. Ele encontra um Peixe que busca estabilidade após um início de ano turbulento.

A análise é clara:

Tecnicamente, Cuca é um dos poucos treinadores brasileiros capazes de organizar um time em semanas. Sua capacidade de leitura de jogo é inquestionável. O desafio, contudo, será gerir a pressão externa e os resultados imediatos que a diretoria santista exige para justificar uma contratação tão polarizadora.

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