André Galvão
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Com mais de duas décadas de trajetória, André Galvão é uma referência no jornalismo esportivo. Apresentador e comentarista com vasta experiência em coberturas globais e passagens pelos principais veículos de rádio e TV, traz para a TMC um olhar apurado sobre o futebol nacional e internacional, consolidado por anos nas competições da UEFA, FIFA e COI.

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O poder do Derby

Na minha primeira coluna na rádio TMC, um pouco da história desse clássico e porque ele é capaz de oferecer superpoderes

Por André Galvão | Atualizado em
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Nada como um Derby atrás do outro. O lema, que se encaixa no dia-dia de muita gente, também serve para corintianos e palmeirenses. Porque não foram poucas as vezes que a volta por cima de um significou a desgraça do outro.

Nesse século alguns confrontos mostraram o equilíbrio entre os rivais. Mesmo quando um deles era considerado super favorito. Em dois mil e onze, por exemplo, Tite estava pendurado no Corinthians depois de perder para o Tolima na Pré Libertadores. No jogo seguinte, com mando do Alviverde, encarou o Pacaembu lotado de palmeirenses e, quando ninguém imaginava, Alessandro marcou o gol do Timão. Uma vitória que salvou a pele do treinador, que mais tarde naquele mesmo ano seria campeão brasileiro. E campeão da Libertadores e Mundial no ano seguinte.

Em dois mil e treze era o contrário. O Corinthians em casa, campeão do mundo, contra o Palmeiras rebaixado para a Série B. O duelo terminou empatado por dois a dois para a surpresa de muitos.

Uma vitória marcante alviverde aconteceu em dois mil e dezesseis. O Corinthians era o atual campeão brasileiro e o Palmeiras tinha acabado de tomar quatro a um do Água Santa. Brigava contra o rebaixamento no Paulistão. Dudu marcou de cabeça por cima do gigante Cássio e o Verdão iniciou uma reação que terminou no vice-campeonato estadual e no título brasileiro no final do ano.

Na temporada seguinte era o Alvinegro que estava em crise, com um treinador iniciante, Fábio Carille. E o novo rico Palmeiras caiu em Itaquera com um jogador a mais com um gol do atacante Jô nos últimos minutos. Mais tarde Carille seria conhecido como carrasco alviverde e o Timão ainda seria campeão brasileiro em cima do arquirrival e paulista no ano seguinte em pleno Alianz Parque.

Novos capítulos foram adicionados nessa década. A terceira Academia do Palmeiras começou com um título paulista sobre o Corinthians, em dois mil e vinte. Patrick de Paula bateu o último pênalti e destravou um time, que viria a ser multicampeão depois, incluindo duas Libertadores.

Abel Ferreira tinha amplo retrospecto positivo contra o Alvinegro até que veio um ano inesperado. Em dois mil e vinte e cinco, sem dinheiro, com transferban e impeachment do presidente, só deu Corinthians nos Derbys. Campeão paulista e classificado na Copa do Brasil de novo dentro do Allianz Parque. Os palmeirenses explodiram e xingaram o maior treinador da história do clube.

E os corinthianos comemoraram ainda depois disso o título da Copa do Brasil e da Supercopa do Brasil.

O primeiro Derby do ano ainda não traz consequências claras. Mas não há dúvidas que vencer o rival, dentro da Neo Química Arena, vai tranquilizar o Palmeiras num período importantíssimo de reconstrução. Pode significar mais coisas lá na frente. E o Corinthians perdeu a chance de afundar o lado verde numa crise mais profunda.

Como o Palmeiras perdeu outras vezes. E o Corinthians também em tantas oportunidades. Essa é a história do Derby. Nem sempre o favorito vence. E história se respeita.

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