Fabiano Farah
Fabiano Farah Mais sobre o autor

Fabiano Farah é jornalista, atuando na profissão desde 1995. Setorista do Santos FC, soma décadas de jornalismo esportivo, com experiência na cobertura de eventos nacionais e internacionais. No comando do canal "E SÓ DÁ SANTOS", ele traz para a TMC informações exclusivas e uma análise apaixonada sobre o Peixe.

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O silêncio do 10: A Seleção à prova de dependência

Sem Neymar na última lista antes do Mundial, Carlo Ancelotti aposta no coletivo e desafia o protagonismo da nova geração

Por Fabiano Farah | Atualizado em
(Foto: Raul Baretta/Santos FC)

A lista saiu, e o nome que por mais de uma década foi o primeiro a ser digitado pelos cronistas simplesmente não estava lá. Neymar Jr., o maior artilheiro da história da Amarelinha, assistirá aos últimos ensaios para a Copa do Mundo do sofá. Para alguns, uma heresia; para outros, o choque de realidade que o Brasil adiou por tempo demais.

A ausência de Neymar nesta convocação final não é apenas uma questão de boletim médico. É um divisor de águas simbólico. Pela primeira vez em anos, a Seleção Brasileira entra no túnel que leva ao Mundial sem a garantia de que sua maior estrela será o guia absoluto.

O Peso da Herança

O que vemos agora é um experimento de “desneymarização”. Carlo Ancelotti, com a experiência europeia e o pragmatismo que o trouxeram ao cargo, parece ter entendido que não se pode construir um planejamento de Copa sobre um alicerce que oscila entre o estaleiro e a retomada física.

O Vácuo do Protagonismo

Sem o 10, a bola não tem mais um “dono” absoluto. Isso obriga nomes como Vinícius Jr. e Raphinha — que já conhecem bem a cartilha de Ancelotti — a assumirem não apenas o drible, mas a responsabilidade intelectual do jogo.

O Fim do Privilégio

A mensagem é clara: nesta Seleção, a hierarquia será ditada pela continuidade e pela entrega tática, não apenas pelo histórico de serviços prestados.

O Risco e a Oportunidade

Claro, há um risco latente. Neymar, mesmo a 70% de sua capacidade, ainda enxerga linhas de passe que o restante do elenco mal consegue imaginar. Abdicar disso às vésperas da Copa é uma aposta alta. Se o time travar diante de uma retranca europeia, o fantasma do craque ausente rondará a Granja Comary.

Por outro lado, o ganho tático pode ser a salvação. Uma equipe sem Neymar é, por definição, uma equipe que precisa correr mais, marcar mais e se entender melhor enquanto unidade. É o fim da “jogada de segurança” — aquela onde, na dúvida, entrega-se a bola ao gênio e espera-se o milagre.

Dura Realidade

A ausência de Neymar nesta última convocação é um remédio amargo, mas necessário. O Brasil precisa descobrir quem é sem o seu ídolo máximo da última década para, quem sabe, recebê-lo na Copa não como um salvador da pátria, mas como uma peça de luxo em uma engrenagem que já sabe girar sozinha sob o comando do técnico italiano.

Resta saber se, na hora em que o hino tocar no Mundial, o grupo sentirá o alívio da autonomia ou o peso da solidão.

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