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Eduardo Mendes
Eduardo Mendes Mais sobre o autor

Especialista em inovação e economia criativa. Em sua coluna, explora as transformações da creator economy, novos formatos de mídia e as estratégias comerciais que estão moldando o futuro da comunicação digital.

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O YouTube e os direitos de mídia no Brasil: a disputa mudou de eixo

Dados recentes da plataforma no país sugerem uma inflexão no modelo tradicional de direitos, com a experiência do fã e métricas de desempenho ganhando peso nas futuras negociações

Por Eduardo Mendes | Atualizado em
Câmera Fotográfica

Em seis meses, a GE TV conquistou 40 milhões de pessoas e acumulou 564 milhões de visualizações ao vivo, com 190 milhões de horas consumidas, conforme os dados divulgados pelo colunista Ancelmo Gois no final de semana.

Na última quarta, a CazéTV anunciou que adquiriu mais uma propriedade para seu robusto portfólio: direitos exclusivos para a Finalíssima de 2026, que será disputada entre Argentina, campeã da Copa América 2024, e Espanha, vencedora da Euro 2024.

Recentemente, o Canal GOAT fechou uma parceria com a Conmebol para transmitir os jogos da Libertadores, Sul-Americana e Recopa para 194 países. As partidas serão exibidas em português e miram brasileiros que moram no exterior.

A amplificação das estratégias das plataformas no YouTube é respaldada pelo mais novo relatório apresentado pela empresa: 56% dos fãs de esportes no Brasil declaram preferir assistir a comentários esportivos profissionais de criadores, atletas e jornalistas online, em vez de consumir a cobertura da TV tradicional.

“Revolução no Futebol”, o sugestivo nome do estudo, também mostra que, no Brasil, 82% dos fãs de esportes assistem ou interagem com outros torcedores compartilhando experiências em eventos esportivos, como vlogs de bastidores e watch parties, pelo menos uma vez por mês no YouTube.

O YouTube não se tornou a principal distribuidora de TV tentando imitar o modelo tradicional. Ele não construiu boxes nem negociou a partir do velho manual. Simplesmente ofereceu a escala, a simplicidade e o modelo de monetização que as emissoras não conseguiam em outro lugar. E gradualmente, todos entregaram as peças que ele precisava.

A observação feita por Magnus Svensson no auge da disputa entre YouTube TV e ESPN no fim do ano passado é oportuna para analisar as novas estatísticas dentro de um cenário de mídia  totalmente fragmentado no Brasil.

O analista previu que as próximas negociações de direitos, especialmente no setor esportivo, iriam revelar até onde o YouTube pretende expandir como distribuidor, e quanto as emissoras estão dispostas a ceder. Em mercados no qual o papel da plataforma como distribuidor ainda está em ascensão, podemos começar a ver os primeiros sinais dessa evolução.

Na quarta passada, Andrew Marchand conversou com Christian Oestlien, VP do YouTube, em seu podcast. O tema: “A Visão do Reajuste dos Esportes no YouTube”. Durante os 48 minutos de conversa, Oestlien destacou o sucesso de Casimiro, “que impulsionou a audiência de futebol mais do que os canais da liga”. “Isso pode ser o próximo passo nos Estados Unidos”, completou o executivo.

O YouTube tem se consolidado como um grande parceiro para ligas, emissoras e empresas de mídia, especialmente no Brasil, que tem sido um ponto chave para os planos da plataforma em relação aos direitos esportivos.

A análise do estudo feita por Paola Marinone e Bengü Atamer destacou que iniciativas adotadas pela Globo, ESPN e TNT Sports exemplificam o que relatório chama de “Fandomização” como novo padrão. Essa abordagem significa uma cobertura mais interativa, imediata e focada no fã, transformando o espectador em participante.

Svensson observa que, à medida que o conteúdo se torna mais acessível dentro do YouTube, a plataforma ganha mais relevância. Os hábitos dos espectadores se consolidam e, uma vez confortáveis dentro desse ambiente, a disposição do público para acessar aplicativos de emissoras diminui.

Como mostrei no mês passado, o YouTube está operando como um hub multiplataforma que funciona nas três camadas da relação com o fã: distribuidor ao vivo, ecossistema de criadores e, agora, operadora de TV segmentada.

Essa condição é reflexo de um entendimento ignorado pela TV linear no passado, critica Svensson.

Mais uma vez, trago a projeção de Nick Meacham sobre um futuro de mudança de poder, em que as plataformas poderão começar a posicionar os direitos esportivos como parcerias baseadas em desempenho, algo muito semelhante aos acordos que o YouTube tem feito com criadores e detentores de direitos.

O desafio para a mídia legada é que a indústria precisa de públicos grandes para manter o valor do patrocínio e o crescimento comercial. Essa dependência dá uma vantagem às plataformas.

“Estamos caminhando para um futuro onde as plataformas de tecnologia dizem: ‘Chega de taxas de direitos, vamos compartilhar o lado positivo?'”, questionou Meacham.

A resposta de Svensson parece indicar sobre como o futuro da distribuição de TV se parece cada vez mais com um funil em forma de YouTube. A única dúvida é a velocidade com que cada mercado irá se adaptar.No Brasil, essa mudança está a galope.

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