A contratação de Lucas Paquetá pelo Flamengo, por 42 milhões de euros (R$ 260 milhões), reacendeu o debate sobre o impacto dos grandes investimentos no futebol brasileiro e a relação entre custo e desempenho esportivo. Trata-se da maior transferência da história do país, o que coloca o meia sob cobrança imediata da torcida e da mídia, especialmente após erros decisivos em jogos recentes, como a perda de bola que resultou em gol do Internacional e uma chance desperdiçada na Supercopa.
Para a bancada do TMC Esportes, a pressão sobre Paquetá é, em grande parte, externa. Internamente, a diretoria do Flamengo adota um discurso de cautela e entende que o jogador precisa de tempo para readaptação ao futebol brasileiro, além de recuperar o ritmo físico ideal após um período sem atuar regularmente na Europa. A avaliação é que o desempenho ainda está em processo de construção.
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“A cobrança ela é proporcional àquilo que foi alardeado pela contratação deles e pelo desempenho do time no ano passado”, disse Dodô. “Eu sei que ele vai jogar mais, ele é um bom jogador, mas eu acho muito difícil ele chegar num nível que justifica os 42 milhões [de euros].”
O caso reforça um padrão comum no futebol nacional: jogadores contratados por valores elevados tornam-se vitrines das equipes. Atletas como Paquetá, Raphael Veiga no Palmeiras ou Gerson no Cruzeiro passam a ter cada ação analisada sob a ótica do investimento realizado, o que amplifica erros técnicos e reduz a margem para oscilações naturais de desempenho.
O debate também se estende à saúde financeira dos clubes. Flamengo e Palmeiras são citados como exemplos de instituições capazes de absorver grandes investimentos sem comprometer o equilíbrio financeiro, pagando valores compatíveis com o mercado internacional atual.
Em contrapartida, Corinthians e Santos aparecem como casos de gestão considerada equivocada, com contratações de alto custo — como Igor Coronado, com salário estimado em R$ 2 milhões mensais, e Leandro Damião, no passado — realizadas em contextos de endividamento elevado, o que aumentou a pressão sobre os atletas e limitou seu rendimento.
“Colaram um adesivo na testa do Coronado: ‘R$ 2 milhões’. Toda a vez que ele pegava na bola, a claque pensava nisso. Ele foi tão cobrado que não conseguiu jogar”, pontuou Marco Bello. “O Coronado não é loucura, é insanidade para um clube que deve o que o Corinthians deve”, lembrou Calil.
A valorização de jogadores como Paquetá e Gerson está diretamente ligada à passagem por ligas e clubes financeiramente fortes, como a Premier League e o Zenit, o que eleva o patamar de negociação para níveis superiores à realidade histórica do futebol brasileiro. Esse cenário tende a mudar com a implementação do Fair Play Financeiro da CBF, que prevê um período de transição de três anos e fiscalização mais rigorosa sobre a capacidade de pagamento dos clubes, com punições para excessos que comprometam a sustentabilidade financeira.
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Apesar das críticas ao valor pago, o entendimento predominante é que o Flamengo tem condições financeiras para bancar o investimento. A aposta do clube é que, com a readaptação concluída, Paquetá alcance o nível de desempenho esperado e justifique, em campo, o montante investido.
Veja AQUI a discussão no Papo de Craque 2
