Julio Casares, presidente do São Paulo, está sendo investigado pela Polícia Civil por ter recebido R$ 1,5 milhão em depósitos fracionados em dinheiro entre janeiro de 2023 e maio de 2025. A informação consta em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtidos pelo ‘UOL’ nesta terça-feira (06/10).
Os valores representam 47% da renda do dirigente no período analisado. A investigação policial, que corre sob sigilo judicial em São Paulo, busca apurar possíveis desvios de recursos no clube paulista.
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Os documentos do Coaf mostram que os depósitos em dinheiro constituem a principal fonte de renda de Casares durante o período investigado. O caso ganhou atenção das autoridades após o próprio banco onde o dirigente mantinha conta emitir alerta ao Coaf ainda em 2023, identificando operações fora do padrão.
Nos 29 meses analisados, Casares teve uma renda total de aproximadamente R$ 3,2 milhões. Desse montante, R$ 2,6 milhões excedem o salário recebido no período, sendo R$ 1,5 milhão proveniente dos depósitos fracionados em dinheiro. O salário pago pelo São Paulo a Casares totalizou R$ 617 mil, representando apenas 19,3% de toda a movimentação na conta.
A análise financeira foi dividida em três períodos consecutivos. No primeiro, entre janeiro de 2023 e março de 2024, Casares recebeu entradas de R$ 1,1 milhão, sendo R$ 476 mil em dinheiro vivo, divididos em 17 transações no caixa de agências e 62 em caixas eletrônicos.
No segundo período, de março a outubro de 2024, foram R$ 600 mil em depósitos, equivalentes a 53,5% da renda do dirigente naquele intervalo. Esses valores foram divididos em 24 transações em guichês e 12 em caixas eletrônicos.
No terceiro período, de outubro de 2024 a maio de 2025, os relatórios indicam R$ 415 mil em depósitos.
Os documentos revelam que a conta do presidente era utilizada para pagar despesas de Mara, ex-esposa de Casares e diretora licenciada do clube. Foram identificados 104 boletos bancários emitidos em nome dela. Mara também está envolvida no caso, sendo investigada por supostamente se beneficiar de um esquema de venda clandestina de camarotes no clube.
Outro relatório do Coaf aponta que foram sacados R$ 11 milhões em espécie do São Paulo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, divididos em 35 operações. Há registros de 12 depósitos realizados em um único dia na conta de Casares, além de operações no valor de R$ 49 mil, apenas R$ 1 mil abaixo do limite para notificação automática ao Coaf.
Até o momento, a investigação não estabeleceu correlação entre os saques do clube e os depósitos na conta de Casares. A Polícia Civil prossegue com as investigações para determinar a origem dos recursos depositados na conta do dirigente.
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Casares já constituiu defesa para ter acesso aos autos, sendo representado pelo criminalista Daniel Bialski. O presidente se manifestou por meio de seus advogados ao ‘UOL’.
“Todas as movimentações financeiras de Julio contidas nos relatórios do Coaf possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira. Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração. Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações -com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial”.
O presidente chegou a justificar os recebimentos ao seu banco como “recursos recebidos em espécie do SPFC referente bonificação dos campeonatos (sic)”.
O São Paulo informou que monitora as investigações e que apresentará a contabilidade integral dos R$ 11 milhões sacados em espécie, negando qualquer relação com os depósitos investigados na conta do presidente. O clube designou o escritório Iokoi Advogados para acompanhar o caso, mesma banca que o representou em 2019 em outra acusação envolvendo dirigentes.
