Gravações que vinculam Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, a um esquema de comercialização irregular de ingressos do Morumbi foram obtidos pelo repórter Gabriel Sá e publicados pelo UOL. Nas gravações, Lucca Monteiro Borzani vende bilhetes do camarote térreo usando o nome de Ayres.
Os bilhetes comercializados são da tribuna do Conselho. O setor é restrito a conselheiros e convidados institucionais do clube, sem venda ao público.
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Borzani é filho de Felício Borzani Neto, amigo de infância de Ayres. Ele vende ingressos para o camarote térreo do estádio. As transações ocorrem de forma particular e os valores são transferidos para a conta bancária pessoal de Borzani.
Nas gravações, Borzani se apresenta como intermediário dos bilhetes. Ele afirma que as entradas estão vinculadas ao espaço do Conselho Deliberativo.
Borzani usa a relação com Ayres para justificar o acesso aos ingressos. Em uma das gravações, ele tenta convencer um interessado que demonstrava receio de sofrer golpe.
Confira o áudio
“Olten Ayres é meu tio, nem posso dar golpe, nunca dei golpe em ninguém, se não eu que me queimo também. O Olten é presidente do Conselho Deliberativo, ele é minha pessoa de confiança, da minha família, e eu sou pessoa de confiança dele, ele me dispõe os ingressos. E sobre dar os ingressos pessoalmente mano, só daria os ingressos pessoalmente se me encontrassem no meu camarote. Eu não vou sair rodando o Morumbi, que é gigantesco, pra caçar alguém pra dar ingresso, desculpa. Ou me encontra no camarote, já que tem esse receio aí de ser golpe, enfim, até entendo, mas não é. Se não, eu falo com outra pessoa aqui, porque não vou sair procurando ninguém pra dar ingresso físico, sendo que dá pra, em dois cliques, mandar digital”, afirma Borzani.
Os registros de ingressos comercializados datam de 2024. Todos os bilhetes estão vinculados ao nome de Ayres. Ainda de acordo com o UOL, Borzani oferecia ingressos para partidas contra o Primavera, pelo Campeonato Paulista, e contra o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro.
No ingresso virtual consta o aviso: “Venda proibida. Caro torcedor esse é um ingresso de cortesia e a sua venda é expressamente proibida. Ajude a combater o comércio irregular e denuncie”.
Em outro áudio, Borzani responde sobre o valor de venda dos ingressos. Ele fala sobre os benefícios do camarote.
“O preço é aquilo que te falei, não dá pra precisar porque não é um preço fixo, depende muito da demanda e da relevância do jogo, então varia. A comida é de tudo, tem de tudo lá: sanduíche, bolo, hot-dog, doces… você pega o que você quiser lá, tem de tudo. E bebida só não tem alcoólica, de resto tem refri, sucos, tem tudo.”
Felício Borzani Neto declarou ao UOL que não tinha conhecimento do caso. Ele se colocou à disposição da Comissão de Ética do clube para prestar esclarecimentos.
“Sim, sou amigo pessoal do Olten. Até digo que sou amigo do Olten, não do presidente do Conselho. Ele me convidou algumas vezes para ir ao estádio assistir o jogo, estendi o convite ao meu filho, o Lucca, que você citou. O Olten deu para mim os ingressos e me deu total confiança. Eu passei para o meu filho, porque nem sempre vou ao estádio. Eu imagino que ele em posse desses convites, convide dois amigos ou os primos. Agora, se você me dá outra versão da destinação, estou sabendo por você. Isso para o Olten vai causar uma decepção muito grande na amizade que temos. É um amigo que confiou em mim e passei pro meu filho que pode ter feito uma besteira dessa. O que meu filho fez, ele responderá. Me coloco à disposição do Conselho de Ética do São Paulo ou qualquer outro órgão. Óbvio que não respondo pelos erros do meu filho, se assim ele cometeu ele responderá? mas eu serei um dos punidores, não tenha dúvida disso”.
Também ao UOL, o São Paulo comunicou que “defende que qualquer denúncia de malfeito envolvendo profissionais, sócios ou conselheiros seja apurada rigorosamente pelo Conselho de Ética, independentemente de cargo, parentesco ou posição política”.
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