O jornalismo brasileiro perdeu um grande nome nesta quinta-feira (10/09). Morreu o jornalista, comentarista e engenheiro Claudio Carsughi, aos 93 anos. Reconhecido como uma lenda da imprensa esportiva e automotiva, Carsughi marcou época por sua análise técnica precisa e voz inconfundível que atravessou gerações no rádio, na imprensa escrita e na televisão.
Chamado carinhosamente de “Mestre Carsughi” por nomes como Rubens Barrichello, Felipe Massa e Milton Neves, o profissional construiu uma trajetória de mais de sete décadas cobrindo futebol, Fórmula 1 e os testes da indústria automobilística.
Da Itália para o Brasil: a origem do Mestre
Nascido em Arezzo, Itália, em 13 de outubro de 1932, Carsughi mudou-se para Florença aos cinco anos, onde desenvolveu sua paixão pelo futebol e pelo clube Fiorentina. Em março de 1946, após o fim da Segunda Guerra Mundial, a família emigrou para o Brasil no navio Duque de Caxias, instalando-se em São Paulo (SP).
Estudou no Colégio Dante Alighieri e graduou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP (Poli-USP). Embora tenha exercido a engenharia por um breve período, a paixão pela comunicação falou mais alto.
A carreira no jornalismo esportivo e na Fórmula 1
A trajetória profissional começou aos 16 anos, como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport, cobrindo os bastidores da Copa do Mundo de 1950 no Brasil.
Na Rádio Jovem Pan (antiga Rádio Panamericana), iniciou seu trabalho em 1957 e construiu uma história de quase 60 anos. Pela rádio, cobriu cinco Copas do Mundo consecutivas (1970, 1974, 1978, 1982 e 1986) e se destacou como pioneiro no uso de estatísticas nas transmissões esportivas.
Na Fórmula 1, Carsughi se tornou referência nacional pela profundidade técnica dos comentários. Em 1994, durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, foi o primeiro jornalista brasileiro a anunciar a morte de Ayrton Senna, após acompanhar a confirmação pela rádio italiana em ondas curtas.
Ao longo dos anos, atuou também em veículos como Rádio Bandeirantes, Rádio Record, Rádio Nacional, Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, ESPN Brasil, SporTV e TV Brasil.
Pilar da imprensa automotiva e testes de veículos
Sua formação em engenharia aliada ao jornalismo o transformou em uma das maiores autoridades sobre a indústria automobilística brasileira.
- Revista Quatro Rodas: atuou por 25 anos (entre 1974 e 1999) como responsável pela área técnica e avaliação de automóveis. Foi o primeiro jornalista a testar o Volkswagen Gol na época de seu lançamento.
- Testes de mercado: realizou avaliações históricas, desde a Romi-Isetta em 1956 até os primeiros supercarros.
- Ferrari em Maranello: a convite da própria fabricante italiana, testou modelos como a Ferrari Testarossa (1992) na pista de Fiorano e a Ferrari California (2011).
- Passou também pelas redações das revistas Oficina Mecânica e Auto&Técnica.
Adaptação digital, prêmios e homenagens
Em 2012, ao lado de sua filha, a jornalista Claudia Carsughi, lançou o Site do Carsughi, mantendo sua atuação ativa na internet e em portais como o UOL. Claudia também escreveu sua biografia, o livro “Meus 50 Anos de Brasil”, lançado em 2012.
Em 2015, foi criado o Prêmio Carsughi L’Auto Preferita, premiação anual voltada para o mercado automotivo brasileiro. Em outubro de 2025, ao completar 93 anos, o jornalista foi homenageado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) por sua contribuição ao jornalismo nacional.
Claudio Carsughi deixa um legado de rigor técnico, independência jornalística e um modelo de análise que transformou a cobertura esportiva e automotiva no país.




