A direção do Red Bull Bragantino veio a público na noite deste sábado (21/02) para repudiar e pedir desculpas pelas declarações machistas do seu zagueiro Gustavo Marques, após a eliminação da equipe no Paulistão.
O defensor ofendeu a árbitra Daiane Muniz ao fim da derrota para o São Paulo, por 2 a 1, no sábado, pelas quartas de final do Estadual.
Acompanhe tudo o que acontece no Brasil e no mundo: siga a TMC no WhatsApp
“Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que ela fez”, atacou o zagueiro do Bragantino. “Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para uns jogos desse tamanho, não colocar uma mulher.”
Poucas horas após à demonstração pública de preconceito, a direção do Bragantino se desculpou com a árbitra. “O Red Bull Bragantino vem a público reforçar o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz. O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, dita após a partida.”
O clube informou que pediu desculpas diretamente à profissional ainda no estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista. E avisou que estuda punição adequada ao seu profissional.
“Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito. Seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade. O clube vai estudar nos próximos dias a punição que será aplicada ao atleta”, completou o clube, em comunicado.
Ainda no sábado, o próprio jogador se dirigiu pessoalmente à árbitra para pedir desculpas.
FPF repudia “visão primitiva”
Também em comunicado, a Federação Paulista de Futebol (FPF) repudiou as declarações do jogador do Bragantino. “É com profunda indignação e revolta que a Federação Paulista de Futebol recebeu a entrevista do atleta Gustavo Marques.”
Leia mais: Zagueiro do Bragantino se descontrola após derrota: “Mulher não pode apitar jogo grande”
“Uma declaração em relação à árbitra Daiane Muniz que reflete uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol. É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero.”
A federação fez elogios ao trabalho da árbitra e ainda indicou que vai denunciar o atleta ao Tribunal de Justiça Desportiva. “Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter. A FPF reforça todo apoio a Daiane e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar em qualquer área do futebol. Nosso trabalho diário é para garantir que o futebol seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres.”
