Romeu Tuma Júnior não é mais presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians. O agora ex-cartola pediu licença do cargo nesta segunda-feira (13/04) após a Justiça suspender a assembleia geral da votação da Reforma do Estatuto.
Em comunicado enviado ao Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior não poupou críticas à situação. “Não serei instrumento dessa manobra, tampouco permitirei a continuidade dos atos ilegais de constrangimento e assédio a funcionários e funcionárias que realmente trabalham pelo e para o Corinthians, ao contrário dessa gente autoritária e golpista”, escreveu no documento que a TMC teve acesso.
“Saio da presidência do Conselho Deliberativo temporariamente, como um aceno ao bom senso coletivo, para que a reforma do Estatuto possa andar, para que a Assembleia possa ocorrer e para que o clube não continue refém dos que trabalham nos bastidores para adiar mudanças que o Corinthians já não pode mais postergar”, emendou – leia o texto na íntegra abaixo.
Fora as reclamações de sua saída, Romeu Tuma Júnior também criticou nominalmente Osmar Stabile, presidente do Corinthians. “Nos últimos dias, ficou evidente a construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados. A minha presença na presidência do Conselho passou a ser usada pelo presidente da Diretoria, Osmar Stabile, como argumento para inviabilizar a votação da reforma no dia 18 de abril“, reclamou o agora ex-presidente do Conselho Deliberativo.
“Stabile se utiliza de terceiro para propor a ação, porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor. Um traidor de cada voto que recebeu. Um traidor de cada corinthiano que acreditou no seu caráter. Um traidor de quem quer um Corinthians democrático – valor que, por sua vez, nos define como instituição”, criticou na sequência.
Leia mais: Memphis aceita ‘2º lugar’ em lista de pagamentos do Corinthians; entenda
O pedido para cancelamento da votação da Reforma do Estatuto do Corinthians foi feito por Felipe Ezabella, membro do Conselho de Orientação (Cori), que também foi alvo de críticas de Romeu Tuma Júnior. Na decisão judicial, o juiz Luis Fernando Nardelli disse que a organização da Assembleia Geral tem “vícios formais relevantes compromete a validade de atos administrativos e causa instabilidade institucional”.
Por Marco Bello e Victor Godoy
Confira na íntegra o pedido de licença de Romeu Tuma Júnior da Presidência do Conselho Deliberativo do Corinthians
“Diante dos fatos tornados públicos nesta data, especialmente após a decisão liminar que suspendeu a realização da Assembleia Geral destinada à apreciação da Reforma Estatutária do Sport Club Corinthians Paulista, comunico meu licenciamento, por tempo indeterminado, do cargo de Presidente do Conselho Deliberativo.
Nos últimos dias, ficou evidente a construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados. A minha presença na presidência do Conselho passou a ser usada pelo presidente da Diretoria, Osmar Stabile, como argumento para inviabilizar a votação da reforma no dia 18 de abril (sábado próximo).
Sua mais recente manobra, a ação que veio a público na manhã de hoje – e que, aliás, foi deliberadamente protocolada em sigilo, mesmo que sem qualquer fundamentação que o justifique –, tem como única finalidade impedir, exatamente, a manifestação dos associados. Stábile se utiliza de terceiro para propor a ação, porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor. Um traidor de cada voto que recebeu. Um traidor de cada corinthiano que acreditou no seu caráter. Um traidor de quem quer um Corinthians democrático – valor que, por sua vez, nos define como instituição.
A cronologia delineada na decisão liminar revela isso com clareza:
O pedido de suspensão da Assembleia não foi acolhido de imediato. O entendimento inicial do Magistrado foi pelo indeferimento fundamentando que era necessário ouvir o Corinthians antes de qualquer decisão. Houve, inclusive, a fixação de prazo para manifestação do clube.
O Corinthians, por sua vez, através de seu Presidente e de seu Diretor Jurídico, adiantando deliberadamente o prazo processual, se deu por citado no dia 8 de abril. Na sua manifestação, “concordou” com o pedido inicial para barrar a Assembleia da reforma estatutária.
No dia 10 de abril, diante do pedido de Ezabella e da conivência expressa da Diretoria do Corinthians, não restou alternativa ao juiz, se não suspender a Assembleia.
Não é razoável ignorar o significado político dessa sequência. Quando o próprio réu, nesse caso o clube, se antecipa e age em convergência com a tese de quem pretendia paralisar a Assembleia Geral, o resultado se torna previsível.
Não serei instrumento dessa manobra, tampouco permitirei a continuidade dos atos ilegais de constrangimento e assédio a funcionários e funcionárias que realmente trabalham pelo e para o Corinthians, ao contrário dessa gente autoritária e golpista.
Dou este passo para remover da frente qualquer desculpa fabricada em nome de uma disputa de poder que nunca foi sobre a minha pessoa, mas sempre sobre o medo de submeter o futuro do Corinthians à decisão livre da sua base associativa.
Saio da presidência do Conselho Deliberativo temporariamente, como um aceno ao bom senso coletivo, para que a reforma do Estatuto possa andar, para que a Assembleia possa ocorrer e para que o clube não continue refém dos que trabalham nos bastidores para adiar mudanças que o Corinthians já não pode mais postergar.
A partir de agora, todos saberão com mais nitidez quem quer a votação e quem quer impedi-la.
Continuarei onde sempre estive: ao lado da democratização do clube, da modernização de sua governança e do direito de o associado decidir, sem sabotagem e sem arranjos, o destino do Corinthians.
Espero e confio na independência e boa-fé dos Associados e Torcedores, que cientes do que está por trás dessa narrativa fraudulenta, dos mesmos de sempre, que detém o “poder” de manobrar o futuro do Corinthians, aos quais não nos submetemos, entendam que é chegada a hora de se expor os fatos e não mais as versões de bastidores que só se prestam aos interesses mesquinhos de grupelhos que aparelham esse Gigante Centenário do Futebol Mundial.
São Paulo, 13 de abril de 2026″




