Thomaz Rafael
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Mais jovem jornalista credenciado na Copa de 94, Thomaz Rafael consolidou o futebol no FM ao lado de Eder Luiz. Com 25 anos de Transamérica TMC, soma coberturas de Copas do Mundo, Olimpíadas e Fórmula 1. Atualmente, demonstra sua versatilidade no comando do Link TMC, trazendo análise e experiência sobre os principais fatos do esporte e da atualidade.

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Ser ou não ser…

Lusa e Timão se enfrentam nas quartas do Paulistão e reacendem a polêmica classificação corintiana no Paulista de 1998. Corinthians também teve do que reclamar na ocasião

Por Thomaz Rafael | Atualizado em
(Foto: Divulgação)

No próximo domingo, Corinthians e Portuguesa voltarão a se enfrentar num jogo decisivo depois de 28 anos. Sim, quase três décadas separam a partida válida pelas quartas de final do Paulistão deste ano e a famigerada semifinal do mesmo torneio, marcada pelo terrível erro do árbitro argentino Javier Castrilli.

Pra quem não lembra ou não conhece a história, a Lusa vencia o forte time do Corinthians de Vanderlei Luxemburgo (equipe que seria campeã brasileira alguns meses depois) até os 46 minutos da etapa final quando o apitador gringo inventou uma penalidade pro Timão após um lance inusitado do zagueiro César dentro da área.

O jogador da Lusa se abaixou pra cortar um cruzamento de Fernando Diniz (ele mesmo!!) e acabou tocando na bola com o peito. O movimento meio atabalhoado do defensor, que estava de costas pro árbitro, confundiu a todos no estádio. Mas uma das imagens do replay foi categórica: NÃO HOUVE TOQUE DE MÃO!

Jogadores da Lusa ficaram inconformados, alguns foram expulsos, o corintiano Rincon bateu o penal com perfeição, o jogo terminou empatado e o erro ganhou as manchetes e acabaria entrando pra história.

O que não ficou na memória coletiva, pra variar, foram as avaliações mais criteriosas, menos passionais e, principalmente, menos escandalosas. Muita gente chamou a atenção para dois detalhes absolutamente relevantes daquela partida: os dois gols da Portuguesa. Ambos, muito provavelmente, irregulares.

O primeiro, marcado por Ailton, nasceu de um passe vindo do lado direito do ataque, feito pelo centroavante Evair. Que estava impedido. O próprio admitiu o fato (dizendo inclusive “não haver discussão para aquele erro”) no mesmo dia, durante o programa Mesa Redonda, da TV Gazeta.

Já no segundo, o próprio autor do gol, Da Silva, estava um metro impedido quando recebe o passe de um companheiro. Há quem diga que a bola teria saído do lateral corintiano Silvinho. Mas o replay, embora não 100% conclusivo, mostra o movimento do pé do atleta da Lusa ao tocar na bola e assim fazer o passe.

Ainda que o primeiro gol do Corinthians também seja bastante discutível (Evair dá uma gravata no zagueiro Cris, mas poucos árbitros teriam marcado aquela penalidade), vamos atropelar essa discussão e sinalizar aqui que o penal foi mal marcado. E que dessa maneira os dois gols corintianos tenham sido irregulares. Chegaríamos portanto a qual conclusão???

A mais simples e objetiva de todas: se Castrilli não tivesse enxergado um penal absurdo durante os acréscimos do jogo, a Lusa teria se classificado à decisão com DOIS GOLS IRREGULARES. Lembrando que o empate por 0x0 teria classificado o Corinthians. Resumindo, e invocando o título de uma das peças mais famosas de William Shakespeare, “muito barulho por nada”.

E se fosse o contrário, provavelmente o tal barulho teria sido bem menor. Afinal, os dois gols ilegais impedidos aí sim teriam tido mais relevância “jornalística”! Ganhariam a dramaticidade adorada pela imprensa. Parodiando (de novo) o autor inglês, ser ou não ser, a favor ou contra o Timão, eis a questão!!

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