Horas antes da votação que pode definir o futuro de Julio Casares na presidência do São Paulo, torcedores organizaram protestos no entorno do Estádio do Morumbis, na zona sul da capital paulista. A mobilização ocorreu enquanto o Conselho Deliberativo do clube se reunia para analisar o processo de impeachment do dirigente.
Integrantes de torcidas organizadas, como a Independente, estenderam faixas com pedidos de saída do presidente, com dizeres como “fora, Casares” e “renuncia, Casares”, principalmente na Avenida Giovanni Gronchi. Durante o ato, também foram entoados gritos de protesto contra a atual gestão. Em outra manifestação, torcedores levaram carro de som e até dois caixões simbólicos, um deles com a foto do mandatário tricolor.
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A Polícia Militar montou um esquema especial de segurança para acompanhar o protesto e a reunião do Conselho. Equipes dos batalhões de Choque, Trânsito, Territorial e do Regimento de Cavalaria foram deslocadas para a região. Segundo a PM, a expectativa inicial era de cerca de 2.000 pessoas, mas, até o início da reunião, pouco menos de mil torcedores ocupavam a avenida. A segurança também foi reforçada na Rua Doutor Erasmo Teixeira Assunção, acesso à sede social do clube, para evitar tentativas de invasão.
A reunião do Conselho Deliberativo teve início por volta das 19h e ocorre no Salão Nobre do Morumbis, em formato híbrido — presencial e online — por determinação da Justiça, que rejeitou pedido do clube para que a votação fosse exclusivamente presencial. A partir das 20h30, os conselheiros começaram a votar o pedido de impeachment.
O processo contra Julio Casares se baseia em denúncias tornadas públicas em dezembro do ano passado, que apontam um suposto esquema de comercialização irregular de camarotes do estádio em dias de shows. As acusações também envolvem questionamentos sobre a gestão orçamentária do clube, venda de atletas abaixo do valor de mercado e o uso de camarotes.
Entre os citados no caso estão Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente.
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Caso o impeachment seja aprovado, o estatuto do clube prevê que o vice-presidente, Harry Massis Júnior, de 80 anos, assuma a presidência. Ele ocupa o cargo desde 2021 e é sócio do São Paulo há mais de seis décadas. Se o número mínimo de 171 votos não for alcançado, Julio Casares permanece no comando do clube até o fim de seu mandato, previsto para encerrar no final deste ano.
