O troféu do GP da Itália de Fórmula 1 2026 já virou um dos assuntos do fim de semana em Monza — e nem foi preciso esperar a corrida. Revelada pela Pirelli, a peça que será entregue aos três primeiros colocados chama atenção pelo formato pouco convencional: uma estrutura vertical formada por pequenas xícaras, tigelas e outros objetos domésticos empilhados, com aparência de estar prestes a perder o equilíbrio.
Batizado de “FRAGILE”, o troféu foi criado pela dupla italiana vedovamazzei, formada pelos artistas Stella Scala e Simeone Crispino, em parceria com a Pirelli e o museu de arte contemporânea Pirelli HangarBicocca. A iniciativa faz parte de um projeto que, desde 2021, convida diferentes artistas italianos para criar o troféu do Grande Prêmio da Itália. A edição de 2026 marca o sexto ano da colaboração.
Troféu de Monza vira assunto nas redes
O design diferente rapidamente chamou a atenção dos fãs de Fórmula 1. A aparência da obra gerou comparações com uma pilha de louças, enquanto alguns comentários nas redes sociais chegaram a associar o formato ao universo do personagem Chaves. A repercussão fez do troféu um dos elementos mais comentados da preparação para o GP da Itália.
Apesar das comparações bem-humoradas, o conceito por trás da peça é bastante simbólico.
O que significa o troféu “Fragile” da F1?
Segundo os artistas, a inspiração veio de uma antiga tradição de passar uma taça comemorativa de mão em mão durante uma celebração. A ideia era representar uma conquista que pode estar nas mãos de um indivíduo, mas que, ao mesmo tempo, pertence a uma comunidade.
Na Fórmula 1, essa comunidade envolve os pilotos, as equipes, os torcedores e todas as pessoas que fazem parte do esporte.
A estrutura formada por objetos cotidianos também representa a repetição presente em uma corrida. Volta após volta, o piloto precisa reconstruir sua vantagem e buscar novamente o resultado. Por isso, para os artistas, uma vitória na Fórmula 1 não representa uma posição permanente.
Ela precisa ser conquistada novamente.
É daí que vem o nome “Fragile”. A obra representa uma vitória que é, ao mesmo tempo, grandiosa e instável — uma conquista que pode ser celebrada, mas que nunca garante que o piloto continuará no topo na corrida seguinte.
Como o troféu do GP da Itália foi feito?
Apesar da aparência inspirada em objetos domésticos, a produção do troféu da F1 em Monza envolveu tecnologia. Os artistas começaram com desenhos e esboços feitos no papel. Depois, o projeto foi transformado em uma peça por meio de impressão 3D com pó de náilon.
Após a impressão, os troféus passaram por processos de pintura, galvanização e polimento, responsáveis pelo acabamento reflexivo da peça.
Ao todo, são quatro exemplares: um para o vencedor da corrida, um para o segundo colocado, outro para o terceiro e uma versão destinada a um representante da equipe vencedora.
Troféus diferentes já viraram tradição em Monza
O GP da Itália tem apostado em uma relação cada vez mais próxima entre Fórmula 1 e arte contemporânea. Antes de vedovamazzei, artistas como Alice Ronchi, Patrick Tuttofuoco, Ruth Beraha, Andrea Sala e Nico Vascellari também foram responsáveis pelos troféus da etapa italiana.
Agora, em 2026, “FRAGILE” leva essa proposta para um caminho ainda mais inusitado: em vez de representar velocidade ou um carro de Fórmula 1, o troféu usa objetos comuns para falar sobre equilíbrio, esforço coletivo e a natureza passageira de uma vitória.
E, se depender da repercussão antes mesmo da largada, o troféu de Monza já conseguiu uma coisa importante: chamar atenção.




