Uruguai dá adeus à Copa em meio a motim contra Bielsa e descontrole emocional

Derrota para a Espanha foi marcada por falha de Muslera, atritos entre jogadores e treinador, substituições contestadas e expulsão nos acréscimos

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O atacante uruguaio Agustín Canobbio recebe cartão vermelho do árbitro Ismail Elfath durante a derrota do Uruguai por 1 a 0 para a Espanha, pela terceira rodada do Grupo H da Copa do Mundo de 2026, no Estádio Guadalajara, em Guadalajara, no México, em 26/06/2026
(Foto: Daniel Becerril/Reuters)

O Uruguai se despediu da Copa do Mundo de 2026 cercado por uma crise dentro e fora de campo. A derrota por 1 a 0 para a Espanha, nesta sexta-feira (26/06), no Estádio Akron, no México, eliminou a Celeste ainda na fase de grupos e escancarou um ambiente de forte desgaste entre o elenco e o técnico Marcelo Bielsa.

A seleção terminou em terceiro lugar no Grupo H, com apenas dois pontos, insuficientes para avançar ao mata-mata. A Espanha liderou a chave com sete pontos, enquanto Cabo Verde ficou em segundo.

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Dentro de campo, o lance que definiu a eliminação aconteceu aos 41 minutos do primeiro tempo. O goleiro Fernando Muslera, de 40 anos, falhou ao tentar defender um chute fraco de Álex Baena e acabou aceitando um gol que colocou os espanhóis em vantagem. Bastante abatido, o goleiro deixou o gramado sob vaias e foi substituído por Sergio Rochet no intervalo. Muslera sequer voltou para acompanhar o restante da partida no banco de reservas.

Após o jogo, Bielsa afirmou que a decisão de deixar a partida partiu do próprio Muslera. Em uma entrevista breve, o treinador também admitiu que não conseguiu extrair o potencial do elenco uruguaio durante o Mundial.

A eliminação, porém, foi apenas o capítulo final de um ambiente que já vinha sendo descrito como turbulento nos bastidores. Segundo informações divulgadas pela imprensa uruguaia antes da partida, líderes do elenco teriam procurado Bielsa para reclamar dos métodos de treinamento, alegando desgaste físico excessivo e afirmando que alguns jogadores chegaram lesionados à Copa.

Nomes como Federico Valverde, Manuel Ugarte, Rodrigo Bentancur e Sergio Rochet pediram uma reunião com o treinador na véspera do duelo contra a Espanha. O grupo também teria defendido uma estratégia mais cautelosa para enfrentar os espanhóis, baseada em marcação baixa e contra-ataques. Bielsa, entretanto, manteve sua ideia de jogo, o que aumentou a insatisfação.

Os sinais da tensão também apareceram durante a partida. Substituído no segundo tempo, Valverde deixou o campo sem cumprimentar Bielsa, evitando olhar para o treinador e demonstrando irritação ao conversar com integrantes da comissão técnica.

Em campo, o Uruguai pouco conseguiu reagir após sofrer o gol. A equipe abusou das faltas, criou poucas oportunidades e passou a discutir constantemente com os adversários. O nervosismo atingiu o ápice nos acréscimos, quando Canobbio recebeu cartão vermelho direto por uma falta dura em Cubarsí, partiu para cima da arbitragem e precisou ser contido pelos próprios companheiros antes de deixar o gramado.

A eliminação também representa um novo revés na carreira de Bielsa em Copas do Mundo. Vinte e quatro anos depois de cair ainda na fase de grupos com a Argentina, em 2002, o treinador argentino volta a ser eliminado na primeira fase, agora comandando a seleção uruguaia.

Assim, o Uruguai encerra sua campanha no Mundial marcado não apenas pelos resultados abaixo das expectativas, mas também por uma combinação de crise interna, desgaste com a comissão técnica e desequilíbrio emocional na partida decisiva, fatores que contribuíram para a precoce despedida da competição.

Leia mais: Com frango de Muslera, Uruguai perde para a Espanha e é eliminado da Copa do Mundo

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