O estádio Morumbis se tornou uma “gigantesca máquina de caça-níqueis”, afirmou o promotor José Reinaldo Carneiro Guimarães, nesta quarta-feira (21/01), após operação da Polícia Civil de São Paulo.
A ação visou a comercialização irregular de camarotes no estádio. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão que tiveram como alvos Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do São Paulo, Mara Casares, ex-esposa do presidente afastado Julio Casares, e Rita Adriana, apontada como negociadora dos camarotes.
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A ação foi conduzida em parceria com o Ministério Público e aconteceu simultaneamente em diferentes endereços na região metropolitana de SP. As autoridades investigam um esquema que teria transformado o estádio em fonte de lucro para particulares em detrimento do clube.
De acordo com o promotor José Reinaldo Carneiro Guimarães, as evidências indicam que o Morumbis foi utilizado como uma “gigantesca máquina de caça-níqueis” durante a realização de shows, beneficiando pessoas específicas e não a instituição.
“As evidências que foram trazidas hoje mostram com segurança para a polícia e o Ministério Público que a arena Morumbi, em razão de shows seguidos foi transformada, na verdade, em uma gigantesca máquina de caça-níqueis que favoreceram pessoas especificamente e não o clube, que é vítima de tudo o que está acontecendo”, disse Guimarães.
A investigação teve início após a divulgação de áudios comprometedores em dezembro de 2025. Em uma das gravações, Douglas Schwartzmann menciona divisão de lucros: “Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança”.
A Polícia Civil identificou que, entre 2021 e 2025, foram realizados saques em dinheiro vivo das contas do clube que somam aproximadamente R$ 11 milhões. Inicialmente, esses valores eram retirados por funcionários do São Paulo, mas posteriormente passaram a ser movimentados por uma empresa especializada em transporte de valores.
Durante a operação, nem todos os alvos foram encontrados. Douglas Schwartzmann estava em viagem ao exterior, e os policiais foram recebidos por seus filhos. Rita Adriana também não estava no endereço indicado, mas os investigadores encontraram anotações relevantes para o caso.
Mara Casares estava em sua residência, onde foram apreendidos cerca de R$ 20 mil em espécie, documentos e uma CPU. As equipes policiais recolheram documentos, equipamentos eletrônicos e valores em dinheiro nos locais visitados.
No mesmo período dos saques das contas do clube, foram identificados depósitos que totalizam cerca de R$ 1,5 milhão na conta pessoal de Julio Casares. As autoridades ainda investigam o destino final dos R$ 11 milhões sacados das contas do São Paulo.
Bruno Borragini, advogado de Julio Casares, negou qualquer relação entre os saques do clube e os depósitos na conta do presidente. “Não há uma relação de vinculação, nem direta nem indireta, entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta do Julio”, afirmou ao Fantástico.
A defesa de Casares argumenta que, antes de assumir a presidência, ele atuava como publicitário e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo, o que explicaria os depósitos. Por sua vez, o advogado do clube, Pedro Iokoi, justificou os saques em espécie alegando que algumas despesas do futebol exigem pagamento em dinheiro.
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Em nota oficial, o São Paulo Futebol Clube declarou que “é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação”. O caso ocorre em um momento de crise institucional no clube, que culminou com o afastamento do presidente Julio Casares após votação de impeachment no Conselho Deliberativo.
