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Especialista na cobertura do Corinthians, Marco Bello Jr. acumula experiência em grandes coberturas como Olimpíadas e Copas do Mundo. Traz notícias de primeira mão e o acompanhamento diário do cotidiano alvinegro.

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Vender André por 17 milhões de euros é um erro gigante do Corinthians

A possível venda do meia André, do Corinthians, ao Milan, da Itália, por 17 milhões de euros é um escárnio para o torcedor corinthiano. André tem apenas 19 anos, contrato até dezembro de 2029 e, até aqui, pouco mais de 20 partidas no elenco principal, sendo cerca de 10 como titular. Estamos falando de um […]

Por Marco Bello Jr. | Atualizado em
André - Agência Corinthians

A possível venda do meia André, do Corinthians, ao Milan, da Itália, por 17 milhões de euros é um escárnio para o torcedor corinthiano. André tem apenas 19 anos, contrato até dezembro de 2029 e, até aqui, pouco mais de 20 partidas no elenco principal, sendo cerca de 10 como titular. Estamos falando de um jogador que mal começou a ter sequência no profissional.

É uma das maiores revelações da base nos últimos anos. Um meia moderno, com personalidade, que já mostrou qualidade técnica e leitura de jogo acima da média para a idade. Poderia, naturalmente, se valorizar muito mais depois de disputar uma Libertadores e um Campeonato Brasileiro como protagonista. O mercado europeu paga mais quando o jogador entrega mais. E André ainda nem teve tempo para isso.

Mas parece que a ânsia da diretoria e dos empresários fala mais alto. Como disse ontem o executivo de futebol Marcelo Paz, o negócio ainda não está fechado. Falta a assinatura do presidente Osmar Stábile. Ou seja, ainda existe margem para reflexão.

Além do valor discutível, a forma de pagamento é ainda pior. Quinze milhões de euros parcelados em três anos — cinco milhões por temporada — e mais dois milhões condicionados a metas de participação, caso o jogador complete 20 partidas com pelo menos 45 minutos em campo. Para um clube que tem dificuldades financeiras, esse modelo não resolve o problema estrutural. É dinheiro diluído.

Ontem, após a eliminação no Campeonato Paulista diante do Novorizontino, o técnico Dorival Júnior foi duro. Disse ser radicalmente contra a venda. Afirmou que o presidente sabe disso. E foi claro ao dizer que o Corinthians precisa decidir se quer ser um clube que ganha títulos ou um clube que apenas paga dívidas. Não foi frase solta. Foi posicionamento.

Dorival ainda deixou no ar, mesmo que de maneira sutil, que não quer fazer parte de um projeto cujo foco seja apenas vender jogador. Quando o treinador começa a falar nesse tom, é sinal de que o ambiente interno já está tensionado.

Tomara que o presidente ouça a torcida e boa parte da imprensa e reavalie. Porque vender uma promessa de 19 anos, com contrato longo e potencial de valorização evidente, por um valor parcelado e modesto para o padrão europeu, é pensar pequeno. E o Corinthians não pode mais se dar ao luxo de pensar pequeno.

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