A energia elétrica no Brasil ficará mais cara em 2026, com aumento médio de aproximadamente 7% nas tarifas. A informação foi confirmada por consultorias especializadas em entrevista à Agência iNFRA nesta sexta-feira (6/02).
O percentual supera a inflação estimada para o ano, projetada em 3,99%, e se equipara ao reajuste de 7,1% aplicado aos consumidores residenciais no ano passado.
Acesse o canal da TMC no WhatApp para ficar sempre informado das últimas notícias
Duas consultorias apresentaram projeções semelhantes para o aumento. A TR Soluções estima reajuste médio de 7,88%, enquanto a PSR prevê alta entre 6% e 7%. Os valores representam uma revisão significativa em relação às estimativas anteriores.
A deterioração das condições hidrológicas foi o principal fator para a revisão das projeções. Este elemento afeta diretamente o custo de aquisição de energia pelas distribuidoras, componente importante da tarifa final.
“A nossa projeção aumentou 2.48 pontos percentuais em um mês basicamente por conta da hidrologia, que entra na parcela de compra de energia. Isso pesa muito se formos olhar que a geração corresponde a 33% da tarifa do consumidor residencial“, afirma Helder Sousa, diretor de Regulação da TR.
Os reajustes ocorrerão ao longo do ano em todo o território nacional, com variações entre as diferentes áreas de concessão. As projeções consideram apenas as tarifas homologadas pela Aneel, sem incluir possíveis adicionais de bandeiras tarifárias.
Os encargos setoriais, principalmente a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), serão novamente o componente que mais pesará nos reajustes tarifários em 2026. No ano anterior, os encargos aumentaram 3,1%, valor superior ao aumento de custo com aquisição de energia (2,9%) e com distribuição (2,4%).
Leia mais: Petrobras adquire 42,5% de participação em bloco exploratório na costa da Namíbia
O custo com transmissão também deve pesar mais este ano. A TR projeta alta de 7,5% no ciclo que se inicia em julho, após um aumento de 12% da receita do segmento no ciclo 2025/2026, aplicado desde meados do ano passado.
Os cálculos da PSR consideram os diferimentos tarifários aplicados para algumas distribuidoras em 2025, como Light, Enel Ceará e Equatorial Alagoas, conforme explica Mateus Cavaliere, head de Planejamento e Inteligência de Mercado da consultoria.
Para 2026, Cavaliere indica que são esperadas algumas revisões tarifárias, o que pode resultar em aumentos relevantes e levar a pedidos de diferimentos para redução tarifária.
Sobre o impacto da repactuação do UBP (Uso do Bem Público) no abatimento de tarifas nas regiões Norte e Nordeste, Cavaliere avalia: “Isso certamente puxará essa média para baixo”.
Ele também alerta sobre as consequências dos diferimentos: “Tem todo um mérito por trás dessa questão de diferimento, para não gerar as chamadas bolhas tarifárias. Mas, por outro lado, isso também tem impacto direto na economia real, a nível Brasil. Porque uma vez que eu não deixo um reajuste, por exemplo, ser muito negativo em um determinado ano, dependendo da distribuidora, isso tem um impacto muito grande na inflação, que depois rebate em juros e na economia como um todo”.
