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Petrobras não vê impacto da crise venezuelana nos preços do petróleo

Estatal brasileira mantém estratégia atual enquanto observa evolução dos acontecimentos no país vizinho, afirma diretor Fernando Melgarejo

A Petrobras monitora os desdobramentos da crise venezuelana, mas não identifica condições para alterações expressivas nas cotações internacionais de petróleo até o momento.

O diretor financeiro da estatal brasileira, Fernando Melgarejo, informou isso à Agência iNFRA nesta quinta-feira (8/01). A empresa mantém sua estratégia atual enquanto observa a evolução dos acontecimentos no país vizinho.

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A companhia acompanha os eventos recentes na Venezuela, que incluem bombardeio no território, captura do presidente Nicolás Maduro, bloqueio de cargas destinadas à China e apreensão de um navio petroleiro russo pelos Estados Unidos.

O mercado petrolífero tem apresentado estabilidade relativa, com o barril do tipo Brent para março registrando queda de apenas 1,3% nos cinco dias anteriores, fechando a US$ 59,96 na sessão de quarta-feira (7/01).

“Estamos dando uma atenção bastante especial ao tema [Venezuela], mas até agora não houve uma flutuação de preços que afete a companhia. Nos últimos três ou quatro dias, não vimos nada que exija uma mudança na nossa condução. Será preciso observar a evolução ao longo do mês”, afirma Melgarejo.

A estabilidade dos preços está relacionada às comunicações do governo americano sobre investimentos na indústria petrolífera venezuelana, indicando aumento da oferta futura.

O fluxo atual de petróleo venezuelano varia entre 800 mil e 1 milhão de barris diários, representando menos de 1% da movimentação mundial, o que reduz o impacto de possíveis interrupções no fornecimento.

O diretor da Petrobras expressa dúvidas quanto à recuperação rápida da produção venezuelana: “Para impactar a oferta, mais do que retomar a produção, é necessário manter volumes elevados de forma sustentada, o que demanda investimentos muito expressivos, além de um ambiente regulatório claro e estável. Mas o cenário ainda carrega muitas incertezas“.

O petróleo venezuelano, por ser do tipo pesado, é comercializado com desconto entre US$ 10 e US$ 20 em relação à cotação de referência. Em comparação, o petróleo brasileiro, mais leve, tem desconto entre US$ 2 e US$ 6, tornando-o mais atrativo para investidores.

Fontes do mercado questionam a viabilidade de investimentos no país vizinho. “Ninguém sabe quais serão as regras na Venezuela. As empresas vão investir três, quatro anos e correr de novo o risco de mudanças no governo local ou no próprio governo americano? Isso vale para qualquer empresa, inclusive para a Petrobras”, diz uma fonte do mercado. E complementa: “Além desses riscos, é um petróleo com desconto bem maior. Essa equação fecha?”.

A produção operada pela Petrobras alcança 2,5 milhões de barris por dia. Desse total, 1,8 milhão são destinados às refinarias da estatal e quase 200 mil são vendidos no mercado doméstico. Considerando a parcela de petróleo importado necessária para a operação das refinarias, o saldo exportado pela empresa é de 500 mil barris diários.

Sobre a possibilidade de a Petrobras ampliar exportações substituindo cargas venezuelanas bloqueadas, especialmente para a China, Melgarejo foi direto: “Já exportamos tudo o que sobra hoje. Pode haver algum ganho em termos de preço, mas não há muito o que fazer em termos de volume de exportação”.

A Petrobras não prevê alterações em seu Plano Estratégico 2026-2030, considerado ainda “100% aderente” aos cenários projetados pela empresa, que já contemplam riscos geopolíticos. O plano prevê investimentos de US$ 109 bilhões nos próximos cinco anos, com premissas de preço médio do barril de petróleo Brent de US$ 63 para 2026 e US$ 70 para os anos seguintes até 2030.

O documento estabelece parâmetros para um “fluxo de caixa resiliente”, com Brent de equilíbrio para neutralidade da dívida líquida de US$ 59 por barril em 2026, reduzindo para US$ 48 por barril em 2030.

Representantes de investidores privados no Conselho de Administração da Petrobras articulam para reduzir a previsão de investimentos da empresa no Plano Estratégico. Esta movimentação deve ser discutida na reunião do colegiado marcada para o dia 16 de janeiro, conforme reportado pela coluna de Julio Wiziack no Uol na última terça-feira (6/01). Melgarejo optou por não comentar esta articulação, afirmando que nenhuma informação a respeito chegou à diretoria executiva.

“O PE [Plano Estratégico] já é revisado a cada ano, e ainda foi adicionado esse buffer [amortecedor] de US$ 10 bi para ser revisitado trimestralmente em função da visão sobre o fluxo de caixa. Não tem porque mexer no Plano agora”, declarou uma fonte da Petrobras que solicitou anonimato.

Leia mais: Situação na Venezuela pode beneficiar empresas brasileiras no curto prazo

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