O barril de petróleo tipo Brent com entrega para maio chegou próximo aos US$ 120 por barril nesta segunda-feira (09/03) e operava na casa dos US$ 103 no fim da manhã, com alta superior a 10%.
Para a analista da consultoria de preços StoneX, Isabela Garcia, trata-se de uma “consolidação” da expectativa de que o choque na oferta de produto pode perdurar por mais tempo que o esperado e da ideia de que rotas alternativas para cargas e eventuais liberações de reservas estratégicas não compensarão a trava logística em Ormuz.
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Até a semana passada, diz a especialista, ainda havia uma expectativa de que a situação seria resolvida rapidamente. Pouco mudou na dinâmica da guerra entre EUA, Israel e Irã, com ataques de lado a lado que avançam no seu décimo dia. O estímulo de preço, portanto, vem de uma mudança na perspectiva de duração da guerra. Isabela lembra que, nos últimos 30 anos, Ormuz nunca foi perturbado de forma prolongada.
“O cenário atual é diferente. Já são quase sete dias de fluxos interrompidos em uma região que responde por cerca de 20% da demanda global (20 milhões de barris por dia)”, diz.
Soma-se à mudança de percepção sobre o futuro da guerra, a sucessão do regime iraniano que não deve mudar de trajetória agora, sob o comando de Mojtaba Khamenei, o filho de Ali Khamenei eleito pelos clérigos. “Em conjunto, esses fatores indicam que o conflito não está próximo do fim”, diz Isabela Garcia.
Paliativos
Ao tomar consciência da restrição mais prolongada, já na semana passada os agentes começaram a buscar alternativas, lembra a especialista. A Arábia Saudita, maior produtor do mundo, já teria começado a redirecionar parte da produção por meio de oleodutos. Outros países, como a Índia e outros asiáticos, com estoques mais curtos que a China, já trabalham em alternativas para ampliar a importação de produto russo.
Alternativamente, fala-se em liberação de estoques para conter as altas nas grandes economias, sobretudo EUA e China, na linha do que aconteceu no início da guerra com a Ucrânia, em 2022.
Para Isabela, todas estas são alternativas importantes, mas a avaliação predominante no mercado ainda é a de que não serão suficientes para neutralizar totalmente o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz. “Em outras palavras, essas ações podem amenizar parte da pressão no curto prazo, mas não resolvem o problema estrutural”, diz a especialista.
Por Agência Infra




