A captura de Nicolás Maduro e a consequente instabilidade política na Venezuela podem beneficiar indiretamente empresas brasileiras petrolíferas, afirmou o especialista Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA.
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Na sua avaliação, empresas brasileiras do setor poderão substituir o país vizinho no fornecimento de petróleo para a China.
“Ainda aguardamos a consolidação da situação lá. As fontes do mercado estão bem reticentes em suas percepções. Mas duas coisas chamam a atenção: para o curtíssimo prazo, abre-se uma possibilidade para as empresas brasileiras ampliarem suas exportações, substituindo o petróleo venezuelano, que ia para a China. Mas isso tem um limite porque o petróleo venezuelano é mais pesado, é diferente do brasileiro. A substituição é parcial, não muda o jogo no mercado”, afirmou.
Por outro lado ,a situação na Venezuela não valorizaria diretamente a Petrobrás. “Isso muda muito pouco. Essa situação não é um drive importante para as empresas petrolíferas. A Venezuela não é hoje uma produtora relevante de petróleo, na melhor das hipóteses, produz 1 milhão de barris por dia, num número otimista”, ponderou Vasconcelos.
“Mas ela não mexe muito no mercado. A maior prova disso é que no dia seguinte (à captura de Maduro) os preços do petróleo do tipo Brent variaram muito pouco, como se a situação não tivesse existido“, completou.
Em relação à produção da Venezuela, que será conduzida pelos Estados Unidos a partir de agora, Vasconcelos acredita que o crescimento da produtividade só deve acontecer num prazo mínimo de dois anos.
“Conversei com o Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que, em suas contas, acredita que a Venezuela, a partir de sua estabilização política, levaria dois anos para elevar a sua produção. Mas poderia levar mais tempo, de seis a oito anos, o que ainda seria algo considerado rápido para os padrões do mercado.
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