O recente anúncio do YouTuber e influenciador Lito Sousa, que usou suas redes sociais esta semana para revelar que foi diagnosticado com câncer de próstata, voltou a acender o alerta para uma realidade alarmante no Brasil. A doença é responsável pela morte de 48 homens diariamente no país. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a enfermidade ceifou 17.587 vidas em 2024. A mortalidade acumulou alta de 21% na última década, e o avanço dos casos entre pacientes mais jovens também preocupa especialistas.
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Conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra 71,7 mil novos diagnósticos da doença a cada ano. Excluindo-se o câncer de pele não melanoma, trata-se da neoplasia mais incidente na população masculina brasileira.
Casos de câncer de próstata em jovens aumentam
Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2020 e 2024, os atendimentos pelo SUS relacionados ao câncer de próstata em homens com até 49 anos subiram 32%. Nessa faixa etária, os procedimentos realizados saltaram de 2,5 mil para 3,3 mil ao longo do mesmo intervalo.
Para o urologista Rafael Ambar do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em entrevista ao g1, há um aspecto favorável nessa tendência. Em suas palavras, “esse aumento mostra que os homens estão chegando antes, o que é positivo. Mais exames e mais diagnósticos significam mais chances de cura”.
O diretor-geral do INCA, Roberto Gil, oferece uma leitura adicional sobre os dados. Na avaliação dele, “esse crescimento reflete a maior capacidade do sistema de saúde em detectar e registrar casos que antes passavam despercebidos, e não um aumento proporcional no risco individual da doença”.

O silêncio da doença
A principal barreira ao diagnóstico precoce está na natureza silenciosa da enfermidade: nas fases iniciais, a doença quase não apresenta manifestações clínicas. O urologista Luiz Otávio Torres, presidente da SBU, sintetiza o desafio ao g1: “O câncer de próstata é silencioso. Quando dá sintomas, geralmente já está em estágio avançado”.
O tipo mais comum da doença é o adenocarcinoma. E o diagnóstico não depende de um único exame, é preciso combinar mais de um procedimento.
O influenciador Lito Sousa é um exemplo de como o rastreamento regular faz diferença. Ele descobriu um tumor de próstata durante exames de rotina, antes de a doença se espalhar para outros órgãos. Em suas palavras: “Eu sempre me cuidei e faço exames de rotina, inclusive aquele que muitos homens se negam a fazer. E, mesmo fazendo check-up de rotina, não foi possível identificar antes o que eu descobri recentemente”.
Quando começar o rastreamento
A SBU orienta que homens cujas famílias tenham histórico de câncer de próstata, mama ou colorretal devem iniciar o rastreamento aos 40 anos. Para aqueles sem esse histórico familiar, a recomendação é dar início ao acompanhamento a partir dos 45 anos.
Quando a doença é detectada cedo, a taxa de cura supera 90%. O urologista Maurício Cordeiro, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU, é direto: “É a doença que mais bem responde ao diagnóstico precoce. O que salva vidas é o acompanhamento regular, não a sorte”.




