Tomar café quente em copos plásticos descartáveis, hábito comum em cafeterias e escritórios, pode expor o consumidor a um risco pouco perceptível: a liberação de microplásticos na bebida. Fragmentos microscópicos de plástico já foram encontrados no ar, na água, em alimentos e até em tecidos humanos, e, embora seus efeitos exatos sobre a saúde ainda estejam em estudo, pesquisadores alertam para a exposição frequente a esses contaminantes invisíveis.
Um estudo da Universidade Griffith, na Austrália, publicado em dezembro de 2025 no Journal of Hazardous Materials: Plastics, analisou como diferentes tipos de copos descartáveis reagem ao contato com líquidos em temperaturas frias (5 °C) e quentes (60 °C). Para aproximar o experimento da realidade, os cientistas avaliaram cerca de 400 copos de café coletados em Brisbane.
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Os resultados apontaram dois achados centrais. O primeiro é que copos de papel com revestimento plástico interno liberam menos microplásticos do que os copos feitos inteiramente de plástico. O segundo é que o calor é decisivo: nos copos plásticos, a quantidade de partículas liberadas aumentou cerca de 33% quando a bebida quente substituiu a fria.
Segundo as estimativas da pesquisa, uma pessoa que consome diariamente 300 ml de café quente em copos plásticos pode ingerir mais de 360 mil partículas de microplástico ao longo de um ano. Imagens microscópicas ajudaram a explicar o fenômeno. A superfície interna desses copos apresenta microirregularidades que, ao serem aquecidas, fazem o material se expandir, amolecer e se contrair, facilitando o desprendimento das partículas diretamente na bebida.
Apesar do alerta, os pesquisadores não defendem o fim do consumo de café para viagem. A recomendação é adotar mudanças simples para reduzir a exposição. Entre elas, o uso de copos reutilizáveis de vidro, cerâmica ou aço inoxidável, considerados as opções mais seguras e ambientalmente sustentáveis.
Quando o uso de descartáveis for inevitável, os cientistas indicam que copos de papel com revestimento interno tendem a ser menos problemáticos do que os de plástico puro. Outra orientação prática é evitar despejar líquidos ferventes diretamente em recipientes plásticos: permitir que o café esfrie levemente antes de servir reduz o estresse térmico do material e, consequentemente, a liberação de microplásticos.
